Zamer – As Três Portas | 9 – Senhor Monteiro

Olá, meu bom leitor!

Nildan finalmente vai ficar cara a cara com Lorde Vasquez e o Senhor Monteiro. Que efeito a mensagem de Lorde Robert produzirá no Senhor de Nouza?

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Zamer – As Três Portas | 9 – Senhor Monteiro

Agora, Nildan estava em frente ao Lorde Vasques e seu assessor, o Senhor Monteiro, após ser oficialmente apresentado pelo arauto do palácio.

Nildan não conseguia para de olhar espantado para a figura do lorde Vasques, um senhor de oitenta anos que aparentava muito mais que sua idade, cabelos longos e grisalhos e uma enorme barba branca que ia até perto de sua barriga. Suas sobrancelhas eram grossas e volumosas e quase cobriam seus olhos, que não se abriam completamente sempre ficando meio cerrados dando a impressão que se mantinham apontados sempre para baixo. Sua pele era toda enrugada e tinha várias verrugas e manchas que aumentavam ainda mais a impressão de idade avançada. Nildan se perguntava como aquele velho era tido como um dos maiores lordes do reino sendo que ele aparentava que iria morrer no minuto seguinte.

– Meus mais altos comprimentos a vossa excelência, Lorde Vasques, senhor e regente da cidade de Nouza – disse Nildan ao se aproximar da enorme mesa ajoelhando-se para os dois homens – e estendo os meus comprimentos e mais altas estimas ao senhor Monteiro, meu nome é Nildan Bufant sou o primeiro encarregado do Lorde Robert Albuquerque regente e senhor do vilarejo Naua, trago noticias do meu senhor para o senhor meu Lorde.

– Levante-se garoto – disse o senhor Monteiro – e me mostre logo o selo real.

Nildan pegou o pergaminho com o selo e o entregou ao senhor Monteiro, o mesmo ao pegar tentou quebrá-lo em vão.

No momento em que o senhor Monteiro foi entregar o pergaminho ao Lorde Vasques para que ele quebrasse o selo Nildan o interrompeu falando – Meu caro senhor, este pergaminho na realidade é para o encarregado da biblioteca das runas na Cidade das Eras, o recado que venho dizer ao senhor não é por meio deste pergaminho.

Neste momento o senhor Monteiro retraiu o pergaminho e o colocou por cima da mesa e fitou Nildan, Lorde Vasques tentou pronunciar algumas palavras, mas só saiu uns sons baixos seguidos de pequenas tosses roucas.

Ao ver que o lorde tentou pronunciar algumas palavras no momento que havia dito que o pergaminho não era para ele, Nildan sentiu uma gota de suor frio escorrer em seu pescoço, ele se sentia apreensivo e inseguro ali, sentia que aquele não era um bom sinal.

O senhor Monteiro aproximou seu ouvido da boca do lorde, enquanto Nildan apenas conseguia ouvir pequenos murmúrios e um pequeno movimento de sua cabeça.

– Senhor Nildan, o meu lorde não gosta dessas atitudes – disse o senhor Monteiro com um tom de voz grosso – ele é contra essas atitudes do Lorde Robert de aproveitar um selo para falar com vários outros lordes que não sejam o seu destinatário original – Nildan se sentia incrivelmente desconfortável com aquelas palavras – o certo seria prendermos você em uma cela por essa afronta, mas sabendo que você é um encarregado que apenas cumpre ordens, Lorde Vasques poupará você dessa vez, mas fica o aviso que na próxima vez ele não terá piedade de você.

– Sim claro, meu senhor – respondeu Nildan quase sem voz.

– E em relação a este pergaminho, o Lorde mais tarde o abrirá e verá o que tem em seu conteúdo, e se for realmente de muita importância ele o encaminhará para a Biblioteca das Runas, você pode dizer isso ao Lorde Robert.

– Sim, senhor – respondeu Nildan, mas mesmo com todo esse acontecimento ele criou forças para falar mais uma coisa – meu senhor, ainda tenho permissão para dizer o recado do meu lorde?

O senhor Monteiro o fitou, e permaneceu em silêncio, um silêncio que durou longos minutos na concepção de Nildan até que finalmente Lorde Vasques demonstrou que queria falar novamente.

Após um longo período em que o senhor Monteiro ouvia cuidadosamente o que o lorde falava, ele finalmente se virou para o jovem Nildan.

– Meu jovem se o que você tem a dizer é a respeito de uma lenda sobre dragões que acordam no período solar, creio que não será necessário dizer nada.

– Meu senhor, é a respeito dos animais magos – disse Nildan com a voz trêmula.

Após ele falar essas palavras Lorde Vasques tentou pronunciar algumas palavras em um tom mais alto, mas apenas saia uma voz rouca e palavras indecifráveis. Nisso o senhor Monteiro chamou servos do palácio para ajudarem a acalmar o lorde, após um longo tempo até que todos conseguissem acalmá-lo, o senhor Monteiro pegou Nildan pelo braço e o levou para um canto isolado do salão.

– Nildan, não sei como você sabe sobre os animais magos, e tão pouco me interesso em saber como foi, sendo que sei que é provável que tenha sido por intermédio do próprio Lorde Robert, mas vou lhe advertir uma coisa – disse o senhor Monteiro com um tom de voz preocupado – os animais magos não passam de uma lenda, tanto que eles nem são mencionados nos pergaminhos de estudos. Espero que você nunca diga nada a respeito deles para ninguém para não começar um boato desnecessário, e outra coisa, você será escoltado até o vilarejo por uma pessoa de minha confiança. Os criados do castelo o levarão a um aposento e será servido tudo o que pedir, garanto que será muito bem tratado, e amanhã cedo você será acordado por um militar de minha confiança que o escoltará de volta ao seu vilarejo.

– Mas senhor, eu creio que eles sejam re…

– Mas nada, estou falando com a autoridade do lorde e repasse essas mesmas palavras ao seu lorde.

– Sim, senhor – respondeu Nildan sem mais saber o que responder.

Quando o sol começou a desaparecer no horizonte Nildan já se estava em um quarto na parte sudoeste do enorme castelo, da janela do seu quarto podia ver a grande pirâmide subir para os céus, guardada pelas quatro torres que a acompanhavam ainda mais altas. Nildan conseguiu reparar que no cume da pirâmide subia um singelo mastro com pouco mais de dois metros e em sua ponta havia uma bandeira pequena em relação à edificação, a bandeira ostentava o brasão da família do Lorde Vasques a silhueta negra de uma árvore com raízes retorcidas e galhos secos abrindo-se para todas as direções no fundo verde musgo.

Olhando para baixo Nildan pode ver que o Palácio Verde é muito maior do que poderia imaginar além do salão verde o castelo seguia como um labirinto de pequenas torres e outros salões menores ao redor da pirâmide. Todo esse emaranhado era rodeado por um muro menor de quase três metros que o separava das casas que formavam a cidade. Ele observou e viu que a janela estava um pouco acima do telhado de um corredor ligado a outro salão, Preciso encontrar o pombal, pensou ele enquanto se pendurava pela janela e se jogava no telhado, o sol já não era mais visto e uma lua minguante iluminava fracamente a terra.

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