Zamer – As Três Portas | 8 – Os Cinco Grandes

Olá, meu bom leitor!

Hoje é dia de saber um pouco mais sobre Sonsor, com quem será que ele está se metendo, hein?!

Tenha um ótimo Ponto para Ler!

Zamer – As Três Portas | 8 – Os Cinco Grandes

– Então, Sonsor – disse o Sr. Specht – nós, os animais magos somos uma ordem, essa ordem existe há muito tempo. Ela foi criada pelos Cinco Grandes que conseguiram controlar as forças primárias da natureza, eles cinco se auto nomearam como “Conselho do Grande Oriente de Zamer” e se auto proclamaram os guardiões dos segredos da natureza dando início a nossa ordem.

– Mas senhor Specht – interrompeu Sonsor, ele não conseguia segurar uma tonelada de perguntas e dúvidas que vagavam pela sua mente – se o conselho que o senhor disse guarda os segredos da natureza, como nunca ouvir falar dele? Pelo que o senhor diz os animais magos deveriam ser conhecidos por toda Zamer e não retratados como uma lenda, e quem foram esses cinco que fundaram o conselho?

O Sr. Specht riu ao ouvir as perguntas, ele sabia que aquilo era ótimo, pois aquele que se mantém perturbado com perguntas e dúvidas é mais suscetível ao conhecimento e ao comando nato. Aquele que se mantém quieto e acomodado perante o conhecimento é mais suscetível a ser mais um subordinado sem expressão.

– Calma Sonsor, uma pergunta de cada vez – após refletir uns instantes sobre as perguntas de Sonsor, o Sr. Specht começou falando da maneira que acreditava que o jovem entendesse melhor – Sonsor, o conselho foi fundado há quase sete períodos solares, e isso dá por volta de dezessete mil e quinhentos anos atrás. Uma época em que era raro ver homens andando em Zamer, sim antes éramos bem mais conhecidos e esse conhecimento de nossa existência quase foi o motivo de nosso fim. Por isso, após a primeira batalha do mundo fomos deixando com que os outros nos esquecessem, Sonsor. Aprendemos que aquele que tem o segredo nas mãos não pode ser visto por aqueles que não estão preparados e os fundadores da ordem foram Bodbar, a tartaruga gigante, Mondor, o gorila branco, Almur a águia, Sizama, a tigresa de bengala e Eboffo, o dragão laranja.

– Desses cinco, todos se transformavam em humanos também? E qual deles descobriu os segredos? – perguntou Sonsor.

– Não, como eu lhe disse na época que a ordem foi fundada os homens eram poucos e sem expressão em Zamer. E os cinco grandes não se transformavam em outros animais, nós começamos a transformar em outros animais pela necessidade de nos esconder. O grande, entre os cincos, que deu início a todos os nossos estudos foi Bodbar.

– Sim, tudo bem – disse Sonsor pensativo – acredito que entendi, os animais magos fazem parte de uma ordem o “Conselho do Grande Oriente de Zamer”, vocês tem os segredos da natureza, e se mantém escondidos para assegurar os seus segredos. Tenho apenas mais uma pergunta, onde estão todos da ordem, digo, por andam todos os animais magos?

Com essa pergunta o semblante do Sr. Specht ficou abatido e Sonsor pode notar uma tristeza abater sobre ele.

– Bem – finalmente disse o Sr. Specht após um minuto calado – eu e o Ashur somos os únicos animais magos que sobreviveram após a grande batalha no último ciclo solar.

– Me desculpe, eu não sabia, eu posso até ser inconveniente, mas o que aconteceu?

– Para eu poder te contar o que aconteceu, eu vou precisar lhe contar o que aconteceu com os Cinco Grandes primeiro.

Assim, o Sr. Specht começou a contar a história dos cinco grandes.

Há aproximadamente sete ciclos solares quando Zamer ainda era uma terra selvagem, os animais tinham entendimento e eram livres. Dominavam seus vastos campos, os fenômenos da natureza eram devastadores e desolavam a todos. Vendo aquele infortúnio Bodbar ficou observando o tempo, o clima e os caprichos da natureza, e ficou ali parado por meses no alto de um monte, movia-se apenas para se alimentar, foi em uma noite de céu limpo e estrelado que ele começou a entender os movimentos que a natureza fazia, e ali parado a enorme tartaruga começou a prever os movimentos da natureza. Cada chuva, raio, trovão, nuvem que passava ou brisa que soprava Bodbar, a tartaruga sabia que viriam. O seu conhecimento era tão grande e crescia tanto que muitos outros animais já o tinham como o Senhor de Tudo e o chamavam de “Bodbar, o Casco da Sabedoria”.

Após todos os animais de Zamer começarem a falar do grande conhecimento de Bodbar, muitos até diziam que ele podia prever o cair de uma folha de uma árvore a quilômetros de distância. Vendo que Bodbar era mais prestigiado, a natureza se alimentou de inveja e ira, suas chuvas foram mais fortes e seus tornados mais devastadores, mas Bodbar previu todos os acontecimentos, avisou os animais e nenhum se feriu. Mais furiosa que antes a natureza começou a fazer o pior de todos os furacões, a tartaruga previu, mas viu que os ventos do furacão atormentariam toda a Zamer e não havia como ele salvar os outros animais, Bodbar foi obrigado a chamar os quatro senhores animais para conjurar o primeiro feitiço do mundo.

Antes que o furacão se formasse os Cinco Grandes, guiados por Bodbar, acalmaram os ventos e aprisionaram o espírito vingativo da natureza salvando toda a Zamer da destruição. Bodbar só não poderia prever o que aconteceria aprisionando o espírito da natureza.

Aprisionar o espírito da natureza fez com que Zamer saísse da órbita do seu sol indo em direção à outra estrela próxima. Assim, Zamer começou a orbitar entre duas estrelas, fazendo uma trajetória em formato de oito dando a volta nas duas estrelas.

Quando o planeta ficou entre as duas estrelas ele ficou com toda a sua superfície iluminada por cerca de sete dias até que saísse daquela posição e começasse a dar a volta em uma das estrelas. Esse período de iluminação total provocou uma reação inesperada em todos os dragões. Com o calor do dia sem interrupção, o poder dos dragões foi elevado e suas chamas estavam mais quentes dos que antes. Sendo assim, Eboffo, o senhor dos dragões, ao ver seu poder quase que ilimitado pelos dias sem noite, somado ao conhecimento recebido por Bodbar e movido por sua ganância deu início a uma guerra para controlar toda Zamer.

Vendo o mal que causara Bodbar se arrependeu e junto com os outros três senhores animais conjuraram o maior feitiço de aprisionamento já feito com o  objetivo de parar todos os dragões. Entretanto, para que o feitiço fosse conjurado Bodbar teve que se sacrificar, e foi assim, no primeiro ciclo solar seguido pela primeira batalha do mundo e o aprisionamento dos dragões, que o Conselho do Grande Oriente de Zamer foi forjado. Em plena batalha.

Encantado com a história, Sonsor não podia deixar de fazer uma pergunta.

– Mas, Sr. Specht – começou Sonsor intrigado – porque o senhor chama os fundadores da ordem de os Cinco Grandes? Se Eboffo os traiu você deveria chamá-los de os quatro grandes.

– Sonsor, uma coisa que você deve aprender é a ser justo, Eboffo os traiu, mas sem ele os outros quatro não conseguiriam conjurar o feitiço e salvar Zamer da fúria da natureza. Sem ele não estaríamos conversando aqui agora – o Sr. Specht fez uma pequena pausa para poder continuar – não tenho muita experiência como humano, eu sei que vocês criam guerras por pequenos erros e apagam o passado glorioso de grandes guerreiros por pequenos deslizes. Vocês humanos dão muita importância aos fatos ruins e esquecem-se dos bons, nós animais magos nos esforçamos em lembrar da importância dos acontecimentos bons e ruins.

– Sim, o senhor está correto – Sonsor fez uma pequena pausa refletindo sobre o que ouviu, e deu continuidade as suas perguntas – certo, agora que eu sei o que aconteceu com os cinco grandes, me conte o que aconteceu com os outros animais magos.

– Bem, Sonsor, agora você vai saber o que aconteceu no último ciclo solar, como Alvor conseguiu quase libertar os dragões e destruir Zamer, como ele foi aprisionado e o que estamos prestes a enfrentar com a aproximação do ciclo solar.

– Então os outros animais magos morreram no último ciclo solar? – Sonsor perguntando já sabendo dentro de si a resposta.

– O único que sobreviveu foi Ashur – respondeu Igor Specht com a voz embargada – e faz pouco mais de três anos que eu sou o seu discípulo, seu único discípulo.

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