Zamer – As Três Portas | 7 – Cidade de Nouza

Olá, meu bom leitor!

No trecho de hoje vamos acompanhar Nildan e conhecer a Cidade de Nouza. Atenção aos detalhes, eles serão importantes lá na frente.

Tenha um ótimo ponto para ler!

Zamer – As Três Portas | 7 – Cidade de Nouza

Após quase três dias cavalgando em direção à cidade de Nouza, Nildan finalmente conseguiu chegar ao grande portão oeste da cidade.

A cidade era como um enorme feudo basicamente formado por um grande castelo com quatro torres cada uma com cento e quarenta metros de altura dispostas a trinta e cinco metros de distância da outra, a disposição das torres formava um quadrado, na base do teto de onde subiam as torres se formava uma enorme pirâmide de pedra cujo cume ficava a sessenta metros de altura, nas faces da pirâmide de pedra havia vários vitrais e janelas dos mais variados tamanhos e formas todos ornados com vidros dos mais variados tons de verde.

Ao redor do castelo ficavam as casas, tabernas, estábulos, pastos e plantações e tudo era rodeado por duas enormes muralhas de pedra. A muralha externa de aproximadamente seis metros de altura tinha cinco portões distribuídos ao seu redor, entre a muralha externa e a interna se encontrava um buraco de pouco mais de cinco metros de profundidade e seu fundo era formado por um rio de lanças com pontas afiadas e envenenadas a muralha interna que se erguia a mais de dez metros de altura completava a defesa da cidade. Toda a área que a cidade ocupava era de aproximadamente quatrocentos e setenta quilômetros quadrados.

Na verdade de qualquer direção que o viajante venha, é possível ver as grandes torres do castelo perfurando o céu aproximadamente meio dia de viagem antes de chegar a cidade. Muitos dizem que das montanhas quebradas no outro extremo da ilha, a atenção de quem observa se volta para as grandes torres de Nouza e não para o aglomerado de casas e castelos que compõem a Cidade das Eras, que é três vezes maior.

Quando chegou ao portão oeste Nildan só conseguia pensar na imponência que todas aquelas muralhas transmitiam. Ao aproximar-se foi direto a uma pequena fenda na parede de pouco mais de vinte centímetros de comprimento por dez de altura, e logo ao lado esquerdo da fenda erguia-se o enorme portão de madeira com chapas de aço com quase quatro metros de altura por três de largura.

– Com licença, algum guarda a porta? – perguntou Nildan aproximando à boca a fenda.

– Sim, mas por ordens do senhor da cidade todos devem entrar pelo portão norte – respondeu uma voz do lado de dentro.

Nildan pensou que se tivesse que contornar um quarto de toda a muralha para chegar ao portão norte perderia mais algumas horas mesmo estando a cavalo, então ele resolveu usar da politicagem.

– Senhor, aqui é Nildan Bufant, primeiro encarregado do Lorde Robert Albuquerque regente do Vilarejo Naua, e trago um recado direto do meu senhor ao Lorde Vasques senhor e regente da cidade de Nouza.

Após um período silêncio Nildan teve sua resposta.

– Por segurança senhor, por favor, mostre o selo.

Nildan retirou o pequeno pergaminho que Robert havia selado e o colocou em frente a fenda. Após mais alguns instantes a voz deu ordens para outros homens lá dentro.

– Vamos abram a porta inferior!

Nisso a grande porta de madeira e aço deu um estalo e uma pequena porta de tamanho convencional se abriu bem no meio da estrutura da porta maior, Nildan desceu de seu cavalo e entrou pela porta puxando sua montaria pelo arreio.

– Muito prazer senhor Bufant, eu sou o segundo Tenente Cruz, encarregado pela segurança do portão oeste – se apresentou o dono da voz que Nildan ouvira a pouco pela fenda.

– O prazer é meu – retribuiu os comprimentos, mas ficou completamente assustado com o número de soldados armados que se encontravam a sua volta fazendo um semicírculo ao redor dele – como eu disse ao senhor, preciso falar o mais rápido possível com o Lorde Vasques, estou seguindo ordens do meu senhor, Lorde Robert.

– Eu posso conferir o selo senhor? – perguntou o tenente estendendo a mão.

– Sim é claro – respondeu Nildan e entregando o pergaminho ao tenente.

Dentro do reino dos homens o único meio de saber a veracidade de um mensageiro era pelo selo real, todo aquele que recebesse o título de lorde e fosse designado pelo rei para comandar uma cidade ou vila recebia um anel e um bastão de cera azul forjado e fabricado pelo próprio rei. Qualquer um poderia até reproduzir um anel com o selo real, mas nunca uma cera com o tom azul celeste que apenas o rei sabia fazer.

Enquanto o tenente verificava o pergaminho Nildan se lembrava do que Robert havia lhe dito uma vez, que com um pergaminho lacrado, mesmo que o pergaminho estivesse em branco, seu portador teria a chave para entrar em qualquer cidade do reino e falar diretamente com qualquer lorde. Claro que o selo só era válido se não estivesse rompido e apenas os lordes tinham poder para quebrar a cera, o rei tinha o capricho de lançar um pequeno encantamento na cera que fazia com que apenas os lordes ou pessoas pertencentes ao sangue real fossem capazes de quebrá-lo após selado.

– Realmente este é um selo autêntico – disse o Tenente Cruz após tentar quebrar o lacre sem êxito.

– Como eu havia dito ao senhor, por favor, preciso falar com o Lorde Vasques o mais breve possível – disse Nildan enquanto o tenente o devolvia o pergaminho.

– Sim, claro Sr. Bufant, aguarde apenas um minuto, por favor – disse o tenente e se afastou em direção a um grupo de soldados, disse algumas palavras que pela perspectiva de Nildan pareciam ordens nada educadas, pois um dos soldados saiu com a cabeça baixa e o tenente voltou para onde Nildan estava – pois bem senhor deixarei um sargento no meu posto de comando aqui no portão e irei acompanhá-lo até o Palácio Verde, apenas aguarde um pouco até que um soldado traga o meu cavalo.

– Claro, tenente – respondeu Nildan prontamente.

– Enquanto esperamos – disse o tenente – se não for querer saber muito, por que Lorde Robert não mandou um pombo correio ou até mesmo um falcão com a mensagem ao invés do senhor?

– Existem certos tipos de mensagens que não podem ser entregue por pássaros, senhor.

– Lorde Robert é um homem sábio então pelo que eu vejo.

Enquanto os dois cavalgavam pelas ruas de Nouza, Nildan não pode deixar de reparar em como a cidade estava movimentada, principalmente pelo movimento de grupos de militares correndo para um lado e para o outro.

– Tenente, porque esse número tão grande de militares aqui na cidade? A população de Nouza cresceu quase o triplo desde a última vez que eu vim aqui, e isso foi há um ano – perguntou Nildan intrigado.

– Ordens do senhor da cidade. Há mais ou menos uns seis meses Lorde Vasques deu autorização para que qualquer homem do reino, além dos homens de Nouza, pudessem se alistar no exército – o tenente respirou fundo e completou – o nosso exército perdeu sua exclusividade.

O tenente estava preocupado com a exclusividade do exército, pois desde os tempos antigos quando o reino foi unificado somente a cidade de Nouza treinava e formava militares. Esses militares só eram aceitos se fossem nascidos na própria cidade, nenhum outro homem era aceit. O exército de Nouza era conhecido por toda a extensão de Zamer como “O punho fechado” ou simplesmente “Punho”, por causa da sua veracidade e agilidade em esmagar os inimigos em combate, isso sem contar toda a técnica e capacitação profissional de seus militares.

– Se fosse qualquer outro que tivesse me falando isso eu não acreditaria, não acredito que vivi até os dias em que Nouza permitiu outros homens que não sejam seus filhos a treinarem no exército – disse Nildan pasmo ao ouvir as palavras do Tenente.

– Sim pode até ter permitido, mas eles nunca irão se tornar filhos de Nouza – retrucou o tenente com um tom de raiva e orgulho na voz. E após essas palavras os dois permaneceram calados até o Palácio Verde.

Ao chegarem ao palácio os dois entregaram seus cavalos aos servos que os levaram aos estábulos, os dois foram em direção ao salão central, Nildan foi guiado pelo próprio tenente dentro do palácio.

Ao entrar no salão central do palácio Nildan se espantou com a magnitude que o salão passava, ele se encontrava bem abaixo da grande forma piramidal vista do lado de fora. Todo o salão era um enorme vão de trinta e cinco metros quadrados, nas junções dos vértices da pirâmide que se prolongava logo acima de suas cabeças podiam ser vistas enormes escadas em espiral que davam acesso as quatro torres. As paredes e as faces da pirâmide eram cobertas por uma pedra granito branca, o chão era ornamentado por pedras brancas, verdes, pretas e amarelas claras fazendo um mosaico criando um enorme desenho de flores que junto com os vitrais davam a impressão de que o salão estava banhado por uma névoa de tom verde claro. Além disso havia um enorme lustre vindo do cume da pirâmide a mais de vinte metros de altura suspenso por uma corrente com espaço para mais de trezentas e cinquenta velas.

O salão tinha poucas pessoas dentro, mais ou menos umas quinze, em sua maioria próprios funcionários da cidade. Em uma parede do salão havia uma enorme mesa vazada de um lado ao outro e em seu centro estavam sentados dois homens, um senhor que já estava bastante idoso já com os seus quase oitenta anos e o outro ao seu lado bem mais jovem que aparentava uns cinquenta e poucos anos.

– Por isso chamam este lugar de Palácio Verde – disse Nildan totalmente absorto com a beleza e magia do lugar – esse lugar é impressionante, eu me sinto como se estivesse dentro do próprio verde, eu quase que tenho a sensação de poder apalpar a cor, como isso é possível, tenente?

– Esse palácio foi construído há muito tempo, dizem que ele foi construído com o auxílio da magia e muitos dizem que até hoje a magia aqui dentro continua forte. Toda vez que venho ao salão central também tenho essa sensação, é como se o verde criasse vida e caminhasse a nossa volta – respondeu o tenente Cruz.

Era impossível não perder alguns minutos contemplando e se deixando levar pela magia daquele lugar, Nildan foi trazido novamente à realidade e lembrado de sua missão pelo tenente.

– Bem, acredito que a magia quase nos faz perder a noção de tempo, mas… Está vendo aquela enorme mesa do outro lado do salão com dois homens sentados bem ao centro?

– Sim estou vendo, acredito que um deles deve ser o senhor da cidade, mas qual?

– Aqui começam os seus problemas, Sr. Bufant, o de mais idade é o Lorde Vasques, mas ele está muito debilitado por causa de sua idade. Por isso ele requisitou o auxílio do inspetor geral da cidade, o senhor Monteiro para poder repassar suas palavras – fez uma pequena pausa seguida de uma longa respiração para poder continuar – eu nunca tive a oportunidade de falar com o senhor da cidade, mas quem teve essa permissão disseram que sua voz é um murmúrio quase que imperceptível.

– Bem então acredito que essa parte da minha missão será bastante complicada, como eu faço para poder ter permissão para falar com o Lorde Vasques? – perguntou Nildan com certa preocupação.

– Eu vou comunicar um dos arautos do lorde para eles te anunciarem, aguarde aqui enquanto eu aviso sua presença.

E assim Nildan ficou ali, envolto no verde enquanto esperava ser chamado para poder falar com um dos maiores lordes do reino e avisá-lo que os pergaminhos antigos estavam certos e que possivelmente uma antiga lenda possa realmente ser verdade com a proximidade do ciclo solar.

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