Zamer – As Três Portas | 6 – Ruínas do Templo da Glória

Olá, meu bom leitor.

Hoje vamos dar continuidade a história de Sonsor, uma grande verdade será revelada para ele hoje!

Tenha um ótimo ponto para ler!

Zamer – As Três Portas | 6 – Ruínas do Templo da Glória

Sonsor e Sr. Specht já chegavam próximos das margens do Bosque Velho quando Sonsor parou de súbito.

– Tudo bem, daqui não avanço mais.

– Vamos Sonsor, meu senhor nos aguarda – respondeu o Sr. Specht meio impaciente.

– Certo, se o seu mestre realmente nos aguarda então me diga quem é ele, o que ele quer falar comigo e por que temos que ir direto para dentro do Bosque Velho se é proibido pelo rei a entrada de qualquer homem lá dentro – disse Sonsor decidido a se mover apenas quando tivesse suas respostas.

– Então vamos lá – resolveu o Sr. Specht concordar com o que Sonsor perguntava – mas quero saber se você vai poder me desculpar?

– Desculpar pelo… – antes que Sonsor concluísse sua fala o Sr. Specht retirou um pequeno bastão de dentro de um dos bolsos de seu casaco, o bastão já saiu emanando uma luz fraca de tom carmim, assim que Sonsor colocou o olhar por sobre a luz ele caiu em um sono profundo como o sono de alguém que fica por dias sem dormir, um sono arrebatador.

– É meu amigo, desculpe, mas não temos muito tempo para conversas.

Então o Sr. Specht pegou o corpo de Sonsor, colocou-o sobre o seu ombro e partiu para dentro do Bosque Velho.

Quando Sonsor voltou a ficar consciente viu-se deitado em um aposento, em cima de uma pequena cama feita de palha e forrada por um pano de linho verde, as paredes eram de pedra, e ver as paredes fez com que ele ficasse mais preocupado, pois todas as casas do vilarejo eram feitas de madeira.

Ao se sentar na cama, ele sentiu uma leve tontura e ficou ali sentado com a cabeça baixa por mais alguns instantes até que conseguisse levantar. Quando sua cabeça parou de rodar e latejar só lhe vinha à mente duas coisas: onde estava e o que o Sr. Specht havia feito com ele.

Quando levantou ele se aproximou da porta de madeira que estava fechada e encostou o ouvido, mas não conseguiu ouvir nada, pela ansiedade e pelo desespero Sonsor foi abrindo a porta lentamente, mas como as suas dobradiças de ferro já eram muito velhas e enferrujadas com o leve movimento feito um forte e alto rangido foi provocado, pelo susto do barulho feito Sonsor se jogou contra a parede no sentido oposto que a porta abria, e ali ficou com a respiração pesada, mas nenhum barulho veio do lado de fora.

Após alguns minutos tentando recuperar o ritmo normal de sua respiração Sonsor voltou para perto da porta e a abriu mais um pouco e novamente o ranger de ferros foi ouvido. Dessa vez ele permaneceu do lado da porta e como esperado nenhum som do outro lado, mas pela pequena abertura que ele fez daria para sair sem mexer mais a porta, pela pequena abertura ele se espremeu um pouco e conseguiu atravessar para o lado de fora.

Ao sair do quarto Sonsor se deparou com um enorme corredor em forma de círculo. No lado de fora havia uma enorme parede de pedra com várias portas de madeira e na outra extremidade do círculo um corredor, no lado de dentro do corredor, um parapeito com pouco mais de meio metro de altura, o corredor tinha uma espessura de um pouco mais de um metro e meio contado da parede ao parapeito e uns trinta metros de circunferência.

No círculo fechado que se formava pelo parapeito havia uma clareira com um jardim e uma espécie de estátua em seu centro quase todo coberto por folhas e trepadeiras.

Todo o lugar aparentava abandono, o mato estava alto e havia trepadeiras por todo o lugar, árvores haviam crescido por todos os lugares e onde parecia que antes havia uma calçada de pedras desenhadas havia agora mato, era como se o bosque estivesse engolindo tudo ali dentro.

Sonsor estava se sentindo mais seguro ao ver o espetáculo de abandono do lugar e estava pensando que o louco do Sr. Specht devia estar longe, por isso pulou o parapeito e foi em direção a estátua no centro do jardim.

Quando ele se aproximou mais pode reparar que em sua base havia umas inscrições, quando foi retirar as folhagens para poder ler um bando de pássaros que estavam em repouso na estátua levantaram voo, e com o barulho das asas batendo e de vários assovios e pios outro tanto de pássaros que repousavam por cima do telhado e em árvores próximas também voaram. De início Sonsor se assustou, mas depois apenas ficou ali parado contemplando o espetáculo, nunca antes ele havia visto tantas espécies de pássaros juntos e nem com tantas variações de cores. Viu Sanhaçu-de-fogo com suas penas vermelhas vivas e bicos pretos, Vestes-amarela de peitos amarelados e costas com penas pretas, Topetinho-vermelhos que possuem o corpo todo verde e uma penugem acima da cabeça de cor laranja, Soldadinho de penas arroxeadas e a cabeça vermelha e tantos outros pássaros belos e coloridos.

Após o fim do espetáculo que os pássaros haviam proporcionado, Sonsor voltou sua atenção para as escrituras, mesmo ele tendo aprendido um pouco sobre a escrita da língua geral, ele não conseguia entender aquelas escritas, eram letras estranhas e diferentes, mas por dedução ele pode ao menos imaginar que o homem ali representado foi muito importante. Por baixo de tantas trepadeiras e folhas podia-se notar a estrutura de um homem vestido de armadura segurando uma enorme lança em uma pose altiva e olhar fixo no horizonte.

Sonsor ficou encantado com a estátua, uma figura de um homem valente e poderoso, ele ficou ali tão perdido contemplando a imagem que não notou a presença de um senhor já de idade que se aproximava pela sua retaguarda.

– Essa é a única estátua que sobrou de Alvor o antigo rei do Império do Mundo Antigo.

Sonsor se virou em um salto com o susto que levou ao ser pego de surpresa.

– Quem é você? – foram as únicas palavras que Sonsor conseguiu dizer.

– Sim, que falta de educação da minha parte – disse o senhor sorrindo para Sonsor – meu nome é Ashur eu sou o senhor dos animais magos.

Sonsor não conseguia entender nada do que estava acontecendo com ele, Senhor dos animais magos? Era a única pergunta que vinha a sua mente.

– Bem, vejo que o Igor Specht não lhe disse nada a nosso respeito, não é mesmo.

– Não – disse Sonsor receoso.

– Não precisa ficar com medo de mim Sonsor, afinal de contas o Igor que é um cabeça oca, venha sente aqui nesse banco que vou lhe contar algo importante.

Sonsor sentia um medo dentro do peito, mas aquele senhor de alguma forma também transmitia serenidade e verdade dentro de si, mesmo sem perceber Sonsor começou a caminhar em direção ao velho e para sua total surpresa ele sentou para escutar o que Ashur tinha a lhe falar.

– Não sei se devo confiar em você – disse Sonsor ao sentar – confiei no Sr. Specht e em menos de uma hora ele me fez desmaiar e me trouxe para um lugar que nem faço ideia de onde é.

– Bem, primeiramente vou lhe contar onde você está – Ashur disse com um sorriso amável – acredito que você anseia em saber onde se encontra, não é mesmo?

– Sim, se o senhor puder dizer ficarei grato, pois eu estou muito confuso e perdido, nós estamos no Bosque Velho?

– Bosque Velho? É assim que os homens do reino estão chamando esse lugar? Meu filho, isso aqui não é um bosque velho seu nome é Templo da Glória, se bem que agora aparenta mais como uma ruína do que já foi outrora.

– Ruínas do Templo da Glória? – Sonsor só ficava mais confuso.

– Onde você estudou a respeito da passagem dos ciclos solares?

– Nos pergaminhos dados, cada camponês aprende a ler para ter o conhecimento que a Cidade das Eras nos passa, tudo que precisamos saber está nos pergaminhos dados.

– E nesses pergaminhos diz algo sobre o Templo da Glória ou sobre a grande batalha do império do mundo antigo? Sobre os animais magos ou até mesmo sobre os outros povos?

– Nada sobre isso, Senhor. Nunca nem ouvi falar disso tudo que o senhor falou – respondeu perplexo Sonsor ao ouvir tudo àquilo que Ashur disse – mas quando nos entregam os pergaminhos enviados da Cidade das Eras nos afirmam que todo o conhecimento dos ciclos solares passados e sobre o mundo estão neles, o que o senhor diz é mesmo real?

– Eu já lhe disse que sou Ashur o senhor dos animais magos, sou mais velho que o seu rei que está no trono há mais de quarenta anos e eu vi toda a sua dinastia crescer e morrer, todos os seus antecessores. Você está nas ruínas do templo em frente a estátua de Alvor e ainda duvida de mim?

– Desculpe, senhor – disse Sonsor de cabeça baixa – é que isso tudo é muito novo para que eu possa pensar rápido, então os pergaminhos do conhecimento dados pela Cidade das Eras não contém toda a verdade?

– Não, meu jovem, e eu escolhi você para compartilhar o meu conhecimento, eu sinto que você será importante no próximo ciclo solar.

– Mas o próximo ciclo solar é daqui a pouco mais de um ano – Sonsor ficou surpreso – o que o ciclo solar tem a ver comigo?

– Calma meu jovem, tudo há seu tempo, e primeiro eu vou lhe dizer o que é um animal mago.

– Acredito que seria um ótimo começo, senhor – Sonsor neste ponto deixou-se entregar a situação que estava presente.

– Bem, acredito que a melhor forma de lhe explicar o que é um animal mago seja o próprio Igor Specht.

– Ele me desmaiou e sumiu senhor, não tenho muita confiança nele mais.

– Mas ele nunca tirou o olhar de cima de você – percebendo que Sonsor estava confuso em relação ao Sr. Specht, Ashur resolveu chama-lo – pode se aproximar Igor, mostre a ele – disse se levantando e deixando o lugar vago ao lado de Sonsor.

Nesse momento um pequeno pica-pau preto azulado voou e pousou ao lado de Sonsor, ele não reparou muito no pequeno pássaro e tentou espantá-lo, mas os movimentos que ele fez com a mão não foram suficientes para que o pássaro levantasse voo.

– Senhor, não acredito muito que o Sr. Specht possa me explicar isso, ele não tem juízo – disse Sonsor abanando a mão mais rapidamente para que o pica-pau saísse do seu lado.

– Sonsor, eu fui designado para ajudá-lo e protegê-lo e irei fazer isso – disse o pequeno pássaro para Sonsor, perplexo ele parou o movimento da mão e apenas conseguiu observar a ave se transformar na figura do Sr. Specht que ele conhecia – eu sou um animal mago e seu protetor pessoal.

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