Zamer – As Três Portas | 14 – Marinheiro Bêbado

Olá, meu bom leitor!

Hoje vamos seguir Zacarias de perto e conhecer mais de sua personalidade. Estão prontos?

Se você é novo aqui, esse é o capítulo 14 de Zamer, o primeiro livro que escrevi ainda em 2010. Toda semana eu posto um capítulo novo e se você quiser ler desde o início é só entrar na categoria Zamer que estão todos lá bem separadinhos.

Tenha um ótimo Ponto para Ler!

Zamer – As Três Portas | 14 – Marinheiro Bêbado

O dia amanhecia e Zacarias já se encontrava no píer de Navi esperando sua embarcação de oito remos ficar pronta para zarpar. Era uma embarcação de madeira acinzentada pequena comparada as outras que atracavam tanto na cidade como no píer do comércio que possuíam até quarenta remos. Enquanto esperava foi abordado por Lisandra.

– Bom dia, meu bom amigo – disse com a voz de quem passou algumas noites com insônia.

– Bom dia, minha senhora – disse virando-se e cumprimentando-a com gesto de mão e cabeça – não esperava encontrá-la aqui tão cedo, vejo que ainda está com problemas para dormir.

– Não consegui dormir por duas noites pensando na carta de Robert, e esperava encontrá-lo aqui antes de ir ao píer.

– Minha senhora pode voltar a sua cama e ter bons sonhos – disse ele com uma voz amável – a carta não dizia nada que a senhora queira saber, por isso não a procurei antes.

– Sim entendo – Zacarias pode notar as manchas rochas que ela carregava por debaixo dos olhos – mas ele está bem?

– A senhora ainda o ama?

– Temo que sim.

– Então não convém eu lhe responder essa pergunta – era para eu ser o seu amado, pensou ele, sempre estive ao seu lado quando Robert a abandonou – acredito que deva dormir um pouco, minha senhora, o dia será longo.

– Você é um amigo de verdade Zacarias – disse Lisandra esboçando um sorriso sem graça – sabe ser amável e sério nos momentos certos, obrigada por ser um amigo tão bom.

O capitão da embarcação gritou para Zacarias informando que já estava pronto para zarpar, Zacarias fez um gesto de confirmação levantando a mão e logo em seguida voltou-se para Lisandra.

– Amigos são para todas as horas – até nas horas de aquecer sua cama, pensou segurando sua fúria – mas eu tenho que partir, tenho assuntos importantes no píer e a senhora deve dormir por pelo menos umas três horas para aguentar o dia.

– Você, como sempre, tem razão – disse ela com certo tom de tristeza na voz – não irei lhe atrapalhar mais, até mais tarde.

E assim Lisandra virou e foi em direção a sua casa enquanto Zacarias embarcou e solicitou um copo de leite com canela morno e cravos para aquecê-lo do frio matutino e dos ventos fortes que vem do lago. Ele encostou-se ao parapeito do barco e ficou observando, no horizonte o aglomerado de barcos atracados no enorme píer e logo a frente quase que encoberto pela névoa, o grande machado esculpido na parede da montanha.

Hoje eu acabo com todos os meios de contato de Robert com Lisandra de uma vez por todas, pensou ele enquanto bebia mais um gole do leite com canela e cravo morno.

– Senhor – disse o capitão Miguel, um homem de trinta e cinco anos com um corpo malhado devido aos anos de trabalho braçal, a pele com uma cor quase igual ao bronze devido ao sol que tomava todos os dias e os cabelos negros e olhos mais escuros que a noite lhe davam um aspecto quase que exótico – os remos já estão a trabalho e devemos chegar ao grande píer em menos de vinte minutos.

– Ótimo – deu mais um gole – mas hoje iremos parar em um atracadouro comum.

– E o reservado aos dirigentes de Navi?

– Hoje não vou tratar de assuntos de Navi, irei tratar de assuntos pessoais e também não quero que minha presença seja percebida por muitos.

– Entendo, senhor – disse Miguel com experiência suficiente para saber que não deveria mais fazer perguntas – farei como deseja – e saiu para repassar as ordens à tripulação.

Atracaram no lado oposto do lugar reservado aos dirigentes de Navi, Zacarias trocou a roupa que usava, colocou uma mais simples, chinelos de couro, uma calça de linho grosso marrom segurada por uma corda preta na cintura e uma blusa de lã branca com mangas compridas.

– E então como estou, Miguel? – perguntou ao capitão antes de descer.

– Um verdadeiro marinheiro bêbado – disse o capitão segurando um riso.

– Bom – disse Zacarias gargalhando – então me traga três copos de cerveja amarga que eu tenho que parecer e cheirar como um marinheiro bêbado.

Zacarias andava meio tonto por causa dos dois copos que bebeu de uma vez, Graças que não bebi o terceiro, pensava ele feliz enquanto andava pelos corredores movimentados que formavam o píer.

O píer era praticamente uma cidade flutuante, as construções não superavam o segundo pavimento e suas ruas eram feitas de tábuas a poucos centímetros do nível da água. Nas extremidades do píer predominavam grandes galpões de madeira para o abrigo das mais diversas mercadorias que chegavam e partiam, para dentro iam-se formando casas, lojas, puteiros, bares e alguns jardins suspensos com plantas de pequeno porte, no centro do píer havia um vão redondo de pouco mais de oito metros de diâmetro sem nenhuma construção apenas a água, era conhecido como o olho do mar ou apenas o olho, as ruas que serpenteavam eram de madeira ou água e todas chegavam ao olho.

O movimento do píer era constante e pesado, andavam anões, homens tanto das cidades livres como do reino de Raour, alguns poucos elfos e raramente um Pixie podia ser visto andando perdido por ali. De longe, era o lugar mais movimentado de toda Zamer. Suas ruas eram entupidas tanto de pedestres como de jangadas quando se podia navegar pelas construções em seu miolo.

Pelas ruas amontoadas Zacarias foi esgueirando-se até conseguir chegar a uma pequena casa que entrou sem bater.

– Alguém? – perguntou com a voz alta assim que fechou a porta. A casa aparentava estar abandonada e não havia nenhuma tocha ou fogueira para iluminá-la, a luz que tinha era proveniente da luz do sol que passava pela janela ao lado da porta, mas iluminava pouco mais que quatro passos a frente da porta e o resto da casa se encontrava na escuridão.

O silêncio o respondeu.

– Alguém em casa? – perguntou mais uma vez com a voz mais alta.

– Quem está aqui? – sua resposta veio da escuridão.

– Meu nome é Zacarias e estou à procura de Rudolf o anão – respondeu como de costume, mas a voz era estranha – e quem é você?

– Rudolf não se encontra – a voz respondeu secamente – e é melhor que saia logo.

– E onde está Rudolf? Irei ao encontro dele.

– Morto – a voz respondeu sem hesitação – e o mesmo irá acontecer com você se não sair.

Assustado com o que ouviu Zacarias sentiu um arrepio gélido percorrer toda a extensão de sua coluna desde a base até terminar em sua nuca ouriçando seus cabelos. Zacarias era um homem de negócios e para tal ele mantinha contato com todos os capitães que atracavam no píer e sabia de tudo que era vendido, ele possuía olhos em todos os lugares, tinha os melhores informantes que o dinheiro podia pagar e Rudolf era um dos seus melhores. Um anão que conseguia as notícias do império sob a montanha e também tinha seus meios de fazer os seus recados serem entregues aos anões certos, mas ele estando morto seus planos mudavam completamente de rumo.

– Desculpe-me – disse Zacarias hesitante – mas Rudolf está mesmo morto?

– Sim e o mesmo acontecerá a você se não sair logo.

– Mas eu sou Zacarias, o primeiro secretário de finanças de Navi e responsável por esse píer – tentou manter um tom seguro para intimidar seu ouvinte – não acredito que iria me matar não é mesmo.

– Belo discurso, mas isso não o salvará se continuar aqui marinheiro – a voz retrucou sem alterar seu tom seco – é melhor que saia de uma vez por todas, não voltarei a avisar novamente.

– Como eu sou o responsável por este píer exijo que se apresente, para que a justiça seja feita pela morte de Rudolf, um inocente.

Desta vez ele não obteve resposta e o silêncio voltou a reinar dentro do recinto. Zacarias sentia a mão tremer quando passou ela pela cintura e percebeu que não havia saído com ela. Nunca havia precisado dela por isso o costume de sair desarmado, Como eu exijo justiça a um assassino desarmado?

Ele escutou passos vindos do escuro, a cada som de toc que ouvia era um novo arrepio que lhe varria o corpo, com medo deu um passo para trás em direção à porta, mas não conseguia tirar o olhar das sombras.

– Agora já é tarde senhor primeiro secretário – a voz disse assim que Zacarias deu um passo para trás – você vai morrer.

O som estava claramente mais próximo dessa vez, Zacarias pensava que se fosse rápido o suficiente conseguiria virar, dar mais dois passos e correr para fora. Do outro lado precisaria apenas gritar por socorro dizendo quem é e muitas espadas apareceriam para salvá-lo.

– Eu vejo o seu rosto agora – a voz agora parecia vir a pouco menos de dois metros de distância dele – não adianta correr para fora, eu te mato antes mesmo de chegar à porta seu mentiroso. O primeiro secretário só anda com roupas finas e não com esses trapos.

Com essas palavras ele travou de medo, Fui traído por mim mesmo, fui traído por mim mesmo, apenas conseguia pensar nisso enquanto o pânico da morte fazia seus pés criarem raízes no chão.

O dono da voz caminhou um pouco mais para frente se mostrando pela penumbra, era um anão robusto de cabelos cor de avelã, escuros, longos e encaracolados, suas sobrancelhas eram volumosas e tão espessas que criavam uma sombra fúnebre em seus olhos amendoados escuros. Ostentava uma enorme barba que ia até a altura do seu umbigo feita em três tranças, vestia botas de sola de ferro e couro, uma calça de couro escuro com placas de ferro na altura das coxas, um gibão de couro cozido trançado com linhas de prata e luvas de linho com placas de bronze protegendo as costas das mãos que seguravam um machado de combate de uma lâmina.

– Como o senhor desejou – disse o anão – meu nome é Tuole – fez uma pequena reverência com um sorriso zombeteiro e sem tirar o olhar penetrante de Zacarias – agora que sabe o meu nome para que a justiça seja feita vou matá-lo, primeiro secretário dos mentirosos – rodou o machado nas mãos – e bêbado ainda por cima.

Zacarias apenas fechou os olhos e esperou pelo seu fim, não tinha mais nada o que se fazer ali, apenas esperar a morte, com os olhos fechados tentou pensar na imagem de Lisandra, se fosse para morrer que morresse com a imagem de sua amada na mente.

Quando o anão deu um passo para frente colocando o machado em posição de ataque ao lado do corpo para fazer o embalo necessário para o golpe, a porta da casa se abriu. Tudo ocorreu muito rápido, quando a porta se abriu o anão se assustou e cambaleou no momento do golpe. O machado não foi levado com a força necessária e acertou a coxa esquerda de Zacarias fazendo um ferimento fundo o bastante para ele gritar de dor e perder o equilíbrio caindo para trás, mas sua queda foi aparada pelo elfo que acabará de abrir a porta que entrava.

– Mas o que está acontecendo aqui? – gritou o elfo enquanto segurava Zacarias aos gritos e olhava furiosamente para o anão – me diga logo anão.

– Ele não queria ir embora – disse Tuole nervosamente – ele iria estragar tudo se continuasse vivo, me deixe terminar de matá-lo logo, é apenas um marinheiro qualquer ninguém irá sentir a sua falta.

O elfo entrou as pressas para dentro carregando Zacarias que gritava alucinadamente por causa da dor que sentia, logo em seguida dele entrou Rudolf que fechou a porta apressadamente.

– O que está acontecendo? – gritou Rudolf assim que fechou a porta.

– Esse homem ia atrapalhar tudo – gritou em resposta Tuole – esse marinheiro bêbado ainda disse que era Zacarias o responsável pelo píer, deixe-me terminar o que comecei – disse caminhando enquanto apertava o cabo do machado com força – vou precisar apenas dar um golpe certo no pescoço dele.

Rudolf olhou de relance para o homem que se contorcia de dor enquanto o elfo o deitava no chão, quando conseguiu ver o seu rosto ficou branco e voltou o olhar para Tuole que já estava com o machado acima da cabeça o preparando para fazer um movimento rápido e preciso – Mas ele é o Zacarias! – gritou desesperadamente – Ele é o Zacarias, Tuole seu idiota!

Enquanto o machado descia na direção do pescoço de Zacarias, o elfo parou o golpe no meio do caminho segurando o punho de Tuole – Seu anão imbecil – disse ele enquanto o empurrava para trás.

– Obrigado Baleg – disse Rudolf indo em direção a Zacarias que gritava de dor – venha aqui Baleg, há cura para esse ferimento?

Baleg rasgou a calça de Zacarias deixando sua perna ferida completamente a mostra, sua coxa estava em ruínas, mesmo Tuole tendo desequilibrado no momento do golpe ele conseguiu abrir uma cratera ali. Havia uma fatia de carne com músculo pendurada mostrando nervos e o sangue brotava por todos os lados do buraco de carne – Vou precisar de planta amarga, santa verde e um pouco de água ardente – disse o elfo para Rudolf – uma agulha e fio de prata.

– Desculpe-me – disse Tuole ainda no chão com a voz baixa – como poderia imaginar que ele dizia a verdade?

– Basta – disse Rudolf encarando seriamente Tuole – depois conversaremos a respeito disso. Baleg eu sei onde conseguir essas plantas e as outras coisas – falou voltando o olhar para o elfo e depois para a perna de Zacarias – vou demorar menos de quinze minutos – levantou e foi até a porta – apenas o faça calar a boca, se não os gritos vão fazer a patrulha vir até aqui – Baleg acertou um soco no rosto de Zacarias fazendo-o desmaiar no mesmo instante, Rudolf passou a mão pelo rosto e pela grossa barba – por que não o matamos logo, não é mesmo? – disse fechando a porta.

– Mas ele calou a boca – disse Baleg rindo para Tuole que respondeu com uma gargalhada.

Quando começou a voltar do desmaio Zacarias sentia um gosto amargo na boca, sua visão ainda estava um pouco turva e ele sentia uma ligeira pressão na coxa, apertou os olhos e viu o elfo costurando o seu ferimento.

– Que bom que acordou, senhor – disse Rudolf pousando a mão em seu ombro.

Zacarias o olhou incrédulo – Você não estava morto? – disse com a voz fraca e o gosto amargo piorou quando ele abriu a boca.

– Uma mentira de Tuole – apontou para o outro anão na outra extremidade do aposento onde se encontravam – um tolo, mas um bom guarda.

– E quem é esse elfo? – perguntou Zacarias fazendo uma careta tanto pela dor que sentia como pelo forte gosto amargo na boca.

– Meu nome é Baleg – disse o elfo enquanto puxava a agulha com o fio de prata aproximando as duas extremidade de carne – sou um elfo banido da floresta de Abin, digamos que não sou um elfo muito exemplar – derramou um pouco de água ardente no ferimento que com o toque ferveu em bolhas brancas, causando uma dor aguda e insuportável – tome mastigue mais uma dessas – colocou sem cerimônias uma folha de planta amarga na boca de Zacarias – é amargo, mas alivia dor.

O gosto da folha nova era terrivelmente mais forte do que a que já se desfazia em sua boca, o gosto foi tão forte que ele quase vomitou sentindo sua bile subir até sua traqueia e voltando para o estômago.

– Por que você não estava aqui como combinado? – conseguiu falar depois que acostumou com o gosto na boca.

– Digamos que Baleg tem uma informação importante para você – disse Rudolf sem rodeios.

– E o nosso assunto? E por que esse Tuole estava aqui? – Zacarias disse enquanto via o elfo terminar de costurar sua perna e ele não sentia mais dor.

– Bem, tinha que ir buscar Baleg que não iria achar esta casa – disse o anão passando a mão na barba – e deixei meu primo Tuole aqui guardando o local para a sua chegada. Mas como ele ou eu saberíamos que o senhor viria vestido como um marinheiro e cheirando a cerveja? Mesmo nos nossos encontros mais secretos o senhor não se vestia assim.

– Não queria que minha presença fosse notada hoje aqui no píer. Não quero mais saber de desculpas – disse Zacarias nervoso – e como fica o nosso assunto de fechar a passagem do machado? Não quero mais ter comunicação com o reino de Raour, eles estão atrapalhando o píer e prejudicando o comércio – disse pensando que essa era uma ótima mentira para acabar de uma vez com o último meio de contato que Robert tinha com Lisandra.

– É justamente por conta disso que eu trouxe Baleg aqui, senhor – disse o anão sabendo que Raour não prejudicava o píer, mas ele estava recebendo uma boa bolsa com cinquenta peças de ouro por aquele serviço e não se importava muito com os reais motivos que Zacarias tinha para tentar fazer aquilo – Baleg, por favor, diga ao nosso senhor o que você sabe.

– Há poucos dias o clérigo élfico sentiu um abalo no equilíbrio de Zamer, um grande mal está para acordar – disse o elfo enquanto colocava três folhas de santa verde em cima da ferida para ajudar na cicatrização e prevenir infecções – e acredite ou não no outro dia foram vistos Diabretes das Sombras andando pela floresta – jogou um pouco de água ardente para molhar as folhas e elas aderirem à pele – e pelo o que eu sei o rei da floresta mandou mensageiros a todos os reinos, para que digam o que o seu clérigo alertou e…

– E o que? – perguntou Zacarias curioso enquanto mastigava a planta amarga.

– Que todos jurem obediência ao reino de Abin nesses tempos escuros, para o bem de todos.

Zacarias riu com os dentes verdes por causa da folha – O que os elfos pensam que são? – riu mais uma vez – Nenhum outro reino ou cidade livre se ajoelhará perante os elfos, ainda mais por um mal que apenas eles veem – Será que tem alguma ligação com a carta de Robert para Lisandra? Pensou Zacarias rapidamente.

– São as informações que eu sei – disse Baleg sem se importar com o que Zacarias dizia.

– Mas como você sabe disso tudo? E que mal seria esse? – perguntou Zacarias ainda em dúvida sobre o que escutou.

– Por mais que não seja um elfo exemplar continuo sendo um e sei ver e escutar melhor do que todos os seus informantes juntos – disse enquanto lavava as mãos com o resto de água ardente que sobrou – pelo que ouvi é sobre dragões e um rei amaldiçoado – ele fez uma pausa e ponderou sobre o que acabara de dizer, após uns instantes resolveu dizer mais – e ainda posso lhe assegurar que o rei da montanha fechará a passagem do martelo quando o mensageiro élfico chegar a sua porta no continente.

– E quem disse isso foi o primeiro capitão da guarda da montanha, senhor – completou Rudolf.

Zacarias ficou profundamente feliz com o que ouviu, Não vou precisar fazer nada apenas sentar e ver o elfos criarem uma guerra por dragões que nunca existiram, pensou ele enquanto colocava mais uma folha na boca para mastigar, que desta vez mais acostumado com o sabor amargo não lhe provocou tanto mal estar, Lisandra agora será somente minha.

– Dragões e um rei amaldiçoado – Zacarias disse em tom debochado e pensando na carta de Robert que falava sobre animais magos, Um mais louco do que outro – uma desculpa um tanto quanto fraca para tentarem dominar os reinos de Zamer, não acha Baleg?

– Prefiro não me preocupar com essas questões, como sou um exilado esses assuntos não me dizem respeito – respondeu o elfo em tom seco – Rudolf me disse que o senhor é generoso para quem lhe é útil.

– Com a sua colaboração eu poupei um enorme trabalho, Baleg – disse Zacarias com a voz calma e feliz – quanto eu lhe devo por esse serviço.

– Não quero peças de ouro, quero um favor.

– E qual seria? Se estiver ao meu alcance farei.

– Leve-me para Navi e deixe que eu tome o meu caminho pela muralha da floresta branca.

– Um favor um tanto quanto caro esse.

– Alguns morreriam para saber o que os mensageiros élficos carregam, e, no entanto eu lhe disse sem acordos prévios.

– Certo – realmente um elfo, inteligente e perspicaz, pensou Zacarias observando aquele elfo de grandes cabelos loiros e lisos cobrindo suas orelhas pontudas, com o rosto desenhado e belo, um corpo forte de quase um metro e oitenta centímetros e vestes simples – seria muita desonra da minha parte não lhe conceder esse acordo, você será o primeiro elfo a atravessar aquela muralha.

– E em que momento você usou a honra hoje? – Perguntou Baleg fitando-o seriamente.

Após as palavras do elfo Zacarias fechou o semblante e o encarou, o clima pesou por um momento e Tuole do outro lado do aposento sempre de olho na conversa e calado apertou o cabo de seu machado esperando o pior, mas foram às risadas de Zacarias que o fez soltar o seu machado – Acredito que nos daríamos muito bem, se fosse um de meus informantes, Baleg – disse Zacarias.

– No momento apenas preciso deste favor, quem sabe em um futuro próximo não trabalhe para o senhor.

– E você terá o seu favor e espero que possa estar a meu serviço futuramente.

 

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