Zamer – As Três Portas | 11 – A Carta para Lisandra

Olá, meu bom leitor!

Hoje apresento a você a Cidade Estado dos Navi, governada por Lisandra. Você também vai conhecer a Bacia do Comércio e a Passagem do Machado Furado.

Se você perdeu alguma parte do livro é só clicar na categoria Zamer que todas estão lá!

Tenha um ótimo Ponto para Ler.

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Zamer – As Três Portas | 11 – A CARTA PARA LISANDRA

O planeta Zamer é constituído basicamente por um enorme continente que se estende de leste a oeste, próximo a sua extremidade oeste está a grande Ilha de Raour local do último reino unificado dos humanos. O ponto da grande ilha mais próximo  do continente tinha oitocentos e vinte metros de distância, nesse estreito onde as águas eram calmas por causa da grande concentração de corais os humanos construíram uma enorme ponte de pedra com aproximadamente cinquenta metros de largura. Nas extremidades da ponte havia duas grandes fortalezas, qualquer um que morasse no continente e quisesse entrar no reino teria que passar pelas duas fortalezas, já que a única entrada para a ilha se dava pela enorme ponte.

Da Ilha de Raour seguindo ao norte pelo Mar do Norte o viajante iria se deparar com a península das Montanhas Anãs, local da grande Cidade Oca, nome popular do reino dos anões. Ele recebia esse nome pelo fato do reino dos anões ter sido construído dentro das montanhas, o reino se estendia por dentro das montanhas da península fazendo um emaranhado de corredores e grandes vãos que subiam e desciam as montanhas por dentro. Muitos dizem que os anões em toda a extensão de Zamer são os melhores no trato de pedras preciosas pelas vastas experiências que os anões passaram de geração em geração durante as escavações.

No estreito que liga a península ao continente, que é um fino estreito de terra composta unicamente de montanhas, os anões em acordo com os homens de Raour escavaram um túnel por entre as montanhas para a passagem de embarcações. O túnel era ligado ao mar e passava por dentro das montanhas para se abrir do outro lado chegando a Bacia do Comércio. A passagem pelas montanhas foi nomeada pelos homens e anões como “Passagem do Machado Furado”, nome escolhido pelo magnífico trabalho de lapidação que os anões fizeram na saída da passagem do lado da bacia. Eles lapidaram a forma de um enorme machado dando a impressão de estar fincado na água e o grande vão que se abria na montanha para a passagem dos barcos ficava bem no centro da lâmina.

A Bacia do Comércio era como uma enorme lagoa entre a Península das Montanhas Anãs e a Península Navi. A bacia tinha apenas uma ligação com o oceano no lado oposto a passagem do machado furado, a bacia levava esse nome pelo fato de que no seu centro os homens que não faziam parte do reino construíram um enorme píer ou, como muitos diziam, uma cidade flutuante com capacidade para abrigar mais de mil e quinhentas pessoas e aproximadamente cento e quarenta barcos.

A partir da península dos anões atravessando a grande bacia se encontrava a Península Navi, que levava esse nome por causa da Cidade Estado dos Navi. Essa cidade era povoada por homens e mulheres que não quiseram viver sob o domínio do reino de Raour e viajaram para o extremo norte do lado oriental das terras de Zamer. Lá fundaram a maior cidade dos homens que não vivem sob as ordens do reino.

Na península onde a cidade foi fundada em meio a uma floresta de eucaliptos cobertos por uma fina camada de neve, os homens de Navi construíram um enorme muro de quinze metros de altura que separava a península do continente. Foram os Navis que construíram o píer na bacia e foram eles que começaram as atividades de comércio com os anões e com outras tribos que vivem em Zamer. Os homens de Raour só começaram a fazer comércio no píer quando os anões terminaram a Passagem do Machado Furado cerca de cem anos atrás.

A Cidade Estado dos Navi era governado pela senhora Lisandra Mediaveiros, uma mulher baixa um pouco acima do peso de cabelos negros que tinha pouco mais de trinta anos. Sua aparência pequena e pouco intimidadora escondia uma grande mulher e líder, sua voz era suave como um veludo, mas nos momentos certos ela conseguia dar uma entonação firme e forte para que todos prestassem atenção somente nela.

Lisandra estava no porto da cidade Navi com o seu primeiro secretário de finanças o senhor Zacarias, um homem alto loiro de pele branca e olhos azuis como o céu. Um homem com o físico de um cavaleiro, mas manso como um garoto apaixonado, seu intelecto era considerado o mais alto da cidade Navi e os mais viajados até comentavam que nunca encontraram um ser mais inteligente que ele pelas terras de Zamer.

A senhora Lisandra estava no porto da cidade contemplando a enorme bacia, com o píer mais a frente e todo o seu movimento de embarcações mais a frente, com o enorme machado lapidado na montanha mais para o horizonte, quando sua contemplação foi interrompida pelo senhor Zacarias.

– Minha senhora, preciso lhe falar – disse Zacarias se aproximando.

– Tudo bem meu amigo, não estou fazendo nada de importante, como dizem estou deixando passar o tempo para matar o serviço – disse Lisandra com um tom doce de voz.

Após dar uma pequena risada Zacarias continuou – Acabo de receber uma carta do Senhor Robert endereçada a senhora.

Antes mesmo que Zacarias estendesse o braço para entregar a carta a Lisandra, ela se virou e a tomou das mãos de seu secretário.

Ela ficou um momento fitando a carta e a segurando com força – O que será que ele quer comigo agora, Zacarias?

– Minha senhora, eu a aconselharia a não ler.

– Mas e se for sobre algo importante, meu amigo?

– Isso a senhora só poderá saber lendo, mas como amigo sincero e secretário eu digo a senhora que não leia, os homens do Reino de Raour não são muitos confiáveis.

– Mas o Robert é diferente – disse Lisandra com a voz baixa e aproximando a carta do peito – farei assim Zacarias, pegue-a e leia por mim, se for algo realmente importante me diga, mas se não for, por favor, pela nossa amizade se for algo que envolva somente nós dois, não me diga nada – estendeu a carta para que Zacarias a pegasse.

Zacarias a pegou e a colocou em um de seus bolsos da calça – Vou ler quando não estiver perto da senhora.

– Obrigada, meu amigo.

– Então vou indo minha senhora.

Como não havia mais nenhum assunto a ser tratado naquele momento Zacarias ia se retirando para seus aposentos, mas após dar alguns passos ele foi chamado pela Lisandra.

– Zacarias, só um momento.

– Sim, minha senhora – disse ele se virando.

– Apenas para não perder o costume – disse com um tom aveludado em sua voz – como está sendo o comércio hoje no píer?

– Está ótimos, no meu último relatório fui informado que hoje vieram representantes dos elfos e eles gastaram muitas pedras preciosas que estarão a caminho da cidade no fim do dia. Também recebemos representantes de Raour que trouxeram muitas armas, mas acredito que poucas serão vendidas, os anões como sempre venderam todas as suas joias trabalhadas com rubis e safiras.

– E o nosso pedágio?

– Hoje foi alto senhora, atracaram oitenta e sete embarcações e zarparam outras sessenta e duas.

– Muito bom – Lisandra deixou um sorriso de satisfação escapar – temos um faturamento melhor do que o do Reino de Raour.

Zacarias baixou a cabeça enquanto soltava um sorriso.

– Ótimo! O que seria de mim sem você – Lisandra deu uma longa respirada e continuou – e muita sabedoria com a carta meu amigo.

– Não se preocupe senhora, agora vou indo.

– Tudo bem e obrigada mais uma vez.

E assim Zacarias se retirou para seus aposentos que não ficavam muito longe do píer da cidade. A Cidade-Estado dos Navi era toda planejada por setores, as margens da bacia ficava o píer e torres de defesa, após vinha o setor de comando dividido em prédios administrativos e as casas de funcionários do governo. Mais para dentro vinha o comércio local da cidade juntamente com as casas populares dos cidadãos e o último era o setor agrícola que ficava mais afastado da costa. A cidade Navi não possuía muitas construções altas, a mais alta era o Palácio da Bacia e não possuía mais do que quatro andares e mesmo assim não possuía nenhuma ostentação em comparação com os palácios do reino de Raour.

Assim que chegou a sua casa Zacarias se sentou em sua cadeira revestida de couro de porco e colocou a carta em cima de sua enorme mesa de mogno rústica.

Ele ficou ali fitando a carta por alguns momentos antes de abri-la, pegou um copo de vinho adocicado com mel e com o aroma amadeirado vindo da Floresta de Abin, e começou a lê-la.

Querida Lisandra.

Essa carta deve chegar as suas mãos por volta de quatro dias, espero que não seja muito tarde.

Os animais magos foram vistos novamente pelas redondezas do Bosque Velho, e com a proximidade do ciclo solar acredito que as antigas profecias estejam certas e que realmente os dragões possam existir. Eu temo que a cidade Navi possa estar em perigo.

A pouco mais de seis meses o rei me ordenou que eu ficasse no vilarejo Naua para observar os movimentos no bosque. Também intensificou o treinamento militar na cidade Nouza abrindo o treinamento para homens que não são da cidade e ampliou os estudos na Biblioteca das Runas para nos prepararmos para qualquer infortúnio que venha a nos cometer.

Não tenho ideia do que possa nos aparecer neste ciclo solar, mas de acordo com as escrituras que conseguimos salvar e traduzir, a região da bacia do comércio é o lugar da primeira catástrofe que anuncia o ciclo solar. Se algo de ruim acontecer com você eu nunca me perdoarei.

Minha querida Lisandra, mesmo você tendo se rebelado a coroa e fugido para a cidade Navi, eu ainda a amo e temo pela sua segurança.

Lisandra se você ainda sente algo por mim, por favor, volte para o reino e eu garanto que você não sofrerá nenhuma punição, seu lugar é ao meu lado.

Robert Albuquerque

O seu homem

Zacarias amassou a carta transformando-a em uma pequena bola de papel e a jogou em sua lareira. Ficou ali observando o fogo a consumindo, enquanto o papel virava brasas ele pronunciou para si mesmo enquanto segurava seu copo do vinho – Sou muito adulto para acreditar em superstições e muito mais homem que você para amar Lisandra – e terminou seu vinho em um gole.

O vinho já deixava sua mente flutuando quando o papel se tornou cinza, ele ficou os últimos pedaços de lenha se apagar por um longo período de tempo observando, Nada vai acontecer com a minha Lisandra, pensou Zacarias levantando-se com as pernas um pouco bambas, Eu sempre protegerei a minha amada, e com esses pensamentos ele foi até seus aposentos trocando as pernas com o vinho que lhe subia a mente. Ao deitar nu em sua cama de penas de ganso coberta com uma manta de linho grosso azul, Zacarias levou sua mão direita até o seu membro que estava duro e ali, como todas as noites, fez uma homenagem a sua amada.

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