Ptah – Parte Um

Olá, meu bom leitor.

Mais uma quinta-feira e mais um conto.

Hoje vou dar inicio a um conto em que participei de um concurso do grupo Escritores e Amantes da Terra Média.

No final do conto irei falar como foi que eu sai com este conto e espero que você goste da história.

Tenha um ótimo ponto para ler!

Ptah – Parte Um

AMOR

O feudo de Lothus é uma pequena comunidade que fica exatamente entre uma floresta, um rio e mais uma floresta. Isolada de tudo e com pouco contato externo o povo de Lothus vivia de uma maneira peculiar.

Tudo o que eles precisavam era retirado do rio ou da floresta. O pouco contato que tinham com os feudos além dos limites da floresta era para materiais de uso pessoal do senhor e da senhora como vinho, algumas carnes mais exóticas e joias.

O feudo em si não possuía mais do que quatrocentos moradores. Isso já considerando os camponeses e a família do senhor.

Um deles era Ptah, um jovem de dezesseis anos que em um dia calmo de verão estava aprendendo o ofício de seu pai, o único escriba do feudo.

– Então, meu filho – dizia Pithar com um ar de satisfação por estar ensinado ao seu filho o seu grande ofício – você deve segurar o pincel com força, mas não deve passar esta força para o pergaminho, o pincel deve correr como se quase não o tocasse. Você me entende?

– Mais ou menos pai – Ptah estava com a mente na bela Isis – como assim segurar forte e não passar o pincel com força no pergaminho?

– Isso é complicado mesmo, meu filho – Pithar estava focado em demonstrar para o filho sua técnica tão elogiada pelo senhor Rord – se você segurar com muita força e aplicar a mesma força no traçado – foi demonstrando enquanto fazia o que falava – viu, tudo vira um borrado e você pode perder o trabalho de um dia.

– Muito interessante pai – Ptah falava apenas para que o pai não prolongasse muito nos ensinamentos do dia, ele tinha marcado de se encontrar escondido com Isis na floresta e a hora combinada estava chegando, e bem rápido.

– Agora olhe como fica se eu segurar o pincel com pouca força e aplicar muita força na hora de passa-lo no pergaminho – o pai demonstrava com prazer e não percebia que o filho não o observava com o mesmo empenho – vê como o traçado fica trêmulo e com acúmulo de tinta em alguns pontos e falho em outros?

– Estou vendo sim, pai – Ptah olhava pela janela buscando o sol para saber que horas do dia eram mais ou menos – muito interessante mesmo.

Pithar o olhou e viu que todo o seu empenho estava sendo desperdiçado, seu filho nem ao menos havia notado que ele tinha parado de demonstrar suas técnicas de escrita.

– Então, Ptah, em quem você está pensando? – disse o pai.

– O que? – Ptah se surpreendeu com a pergunta do pai – em nada, digo em ninguém.

– Já tive a sua idade meu filho, quem é a escolhida pelo seu coração?

– Que pergunta pai… – o rapaz estava com o rosto vermelho mostrando a sua vergonha para com o pai.

– Faremos assim, meu filho – o pai falava com um sorriso de canto de boca – não há nada melhor para treinar do que uma mulher para abraçar, para segurar com força e passar a mão com suavidade.

– Do que o senhor está falando, pai? – Ptah não sabia onde se esconder para fugir daquela pergunta – não sei do que o senhor está falando.

Pithar soltou uma risada profunda e disse afagando a barba – Faremos um trato, meu filho. Você vai cuidar dos seus assuntos e se a sua mãe perguntar passamos o dia tendo lições sobre escrita. Combinado?

Ptah não se sentia confortável o suficiente para dizer ao pai sobre Isis, mas acenou positivamente com a cabeça e saiu com o passo apertado para o seu encontro.

O feudo era praticamente um castelo de pedra de três pavimentos, com algumas casas ao seu redor que não chegavam a ter dois andares. Todo o conjunto de construções era protegido por um enorme muro de pedra cinza que rodeava tudo.

Só poderiam sair ou entrar no feudo com a permissão do Senhor Rord, mas ele e Isis tinham a maneira deles de sair sem serem vistos. No extremo leste do muro uma parte do rio havia sido habilmente desviado para passar por de baixo das pedras cortando o feudo em locais estratégicos para o abastecimento de água potável.

O que Ptah descobriu foi que a grade mergulhada na parte submersa do rio não chegava ao seu fundo. Se ele mergulhasse sem que ninguém visse ele poderia nadar para fora do reino sem muitos problemas, depois precisava apenas seguir a correnteza do rio ate entrar nos limites da floresta e ninguém que poderia estar no muro o alcançaria.

Esse era o segredo dele e de Isis, desde pequenos eles faziam aquilo. Primeiro era uma aventura poder desbravar a floresta. Depois foi a sensação de se poder brincar livremente e, posteriormente, as confissões de cada um. Até que aconteceu o primeiro beijo.

Eles sempre seguiam pelo rio até chegar a uma árvore cuja raiz saía da margem, subia como um arco e descia para o rio, aquele era o primeiro marco. Da árvore ele seguiu até achar uma árvore em que eles dois escreveram:

“Preparados para a aventura. I e P”.

Dali era só pegar a direita e andar até chegar a uma clareira. Lá os dois tinham, depois de um longo ano, construído uma pequena cabana de madeira de três cômodos. Toda vez que a via Ptah se sentia orgulhoso, foi construída por ele por Isis e havia ficado da maneira que eles queriam.

Por dentro tinha uma mesa com duas cadeiras, uma lareira e no outro cômodo uma enorme cama de palha e, como costume, Isis já estava lá deitada.

Ptah a beijou e deitou ao seu lado.

– Você demorou hoje – disse ela com a voz sonolenta.

– Meu pai estava me ensinando a escrever com pincel.

– Largou o graveto para o pincel, que evolução – Isis disse em um tom de brincadeira.

– Você já sabe que venho treinando a um bom tempo com o pincel – ele disse enquanto fazia cocegas nela – é que amanhã ele me apresentará ao Senhor e a Senhora para que seja escriba do feudo como ele.

– Poderíamos vir morar aqui – Isis ainda estava com a voz sonolenta, mas soava séria – ninguém nos perturbaria, estamos a uma boa distância da rota que corta a floresta – ela o olhou com os seus grande olhos cor de mel – por que não sermos os Senhor e Senhora da nossa casa?

Ptah a olhou, ele simplesmente não sabia dizer não para ela – Deixe somente eu ir para casa e me apresentar ao Senhor Rord e sumirei, depois de uns dois dias você vem também para que não fique muito a vista nosso desaparecimento. O que acha?

– Acho muito bom, meu senhor, mas já digo que quero morar bem longe daqui.

– Tudo pela alegria da minha bela senhora – a beijou a envolvendo em seus braços.

Você irá gostar de ler também:

4 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *