Projetos Uns e Outros | Guy de Maupassant + Maria Valéria Rezende

Oi pessoal!

Voltamos a ficar em dia, quase não acredito que isso foi possível HAHAHA

Quando conseguir programar esse post na minha cabeça começou a tocar “Weeeeee are the chaaaampions, my frieeend”, agora faltam mais três quintas para acabarmos esse projeto e eu já tô super empolgada, porque melhor que começar um projeto é conseguir concluí-lo ainda que não tenha sido tudo tão perfeito como eu imaginei, mas vamos conversar sobre isso no post final, no dia 29, me aguardem!

O conto de hoje se chama O colar e foi escrito por Guy de Maupassant, nunca tinha tido contato com a escrita dele e gostei bastante da narrativa escolhida. Ele era amigo e protegido de Gustave Flaubert e chegou a ir para a Guerra Franco Prussiana em 1870. Ele morreu jovem, aos 43 anos, em um manicômio, onde o colocaram após tentar se suicidar por conta dos devaneios causados pela sífilis que o atormentava há mais de uma década. Apesar da morte prematura, ele é considerado um dos maiores contistas da história da França.

Nesse conto a profissão do Sr. Loiser, esposo da protagonista Mathilde, coincide com uma das profissões Maupassant teve na vida: funcionário do Ministério da Instrução Pública. A história do conto se baseia na vida de Mathilde, uma criança que nasceu com beleza fora do comum em uma família de poucas posses. Quando cresceu ela tinha beleza  dignas dos salões mais bem frequentados, porém não tinha posses e o máximo que conseguiu foi um funcionário de ministério.

O Sr. Loiser a tratava com todo o carinho, mas ela vivia sofrendo porque sentia que era digna dos maiores luxos que o homem pode ter, no entanto, vivia uma vida medíocre e regrada. As coisas parecem que vão mudar quando o marido consegue um convite para uma festa promovida pelo Ministro e sua esposa. A festa é super chique e o marido fez de tudo para conseguir o convite pensando que a esposa ficaria feliz com a oportunidade de ir a uma festa da elite francesa. Logo ela começa achar dificuldades porque não tem roupa, não tem sapatos e nada para se apresentar dignamente em um baile tão importante.

O marido arranjou solução para tudo isso, mas ela ainda achou mais um problema, não tinha joias a altura para usar e preferia não ir se fosse para não estar condizente com a o padrão da festa. Foi aí que surgiu a ideia de pegar emprestado com uma amiga uma joia, a amiga se colocou a disposição e ela achou um colar de diamantes que combinaria divinamente com o que ela usaria.

O colar é só o ponto de partida para uma situação que vai causar uma grande mudança na vida do casal e nos faz pensar no que é realmente importante na vida e, principalmente, como as escolhas são importantes. Gostei bastante desse conto e tô começando a ficar mais satisfeita, porque os primeiros foram bem desanimadores, mas os quatro últimos contos me deixaram ansiosa pelos três que faltam.

Como se não bastasse ter gostado do original, a releitura Um simples engano foi escrita por Maria Valéria Rezende. Vocês devem se lembrar que ela estava na minha meta de leituras do início do ano, certo? Então esse foi o meu primeiro contato com ela e a expectativa estava lá em cima, o melhor é que não houve decepção, fiquei encantada com o cuidado que ela teve em trazer a história de Maupassant para a realidade brasileira de hoje.

A Matilde da releitura nasceu em uma família pobre e todo mundo achava que ela era fruto de uma pulada de cerca por ter beleza europeia em uma família de caboclos. Ela morava em uma favela e cresceu achando que o ceu seria o limite para sua beleza, mas se casou com um menino promissor do morro, porque provavelmente seria o melhor que conseguiria.

Aqui, o colar vira um carro e os anseios por futilidades permanecem, a diferença é que a Matilde brasileira trabalha como manicure em um salão após o casamente, mas só se sente bem quando atende madames em casa. Gosta de viver em um mundo luxuoso e fica cada vez mais triste quando tem que voltar para casa. A encrenca que eles se metem por conta do carro é ainda mais perigosa e Maria Valéria trabalha brilhantemente a transição entre a Matilde deslumbrada e a que se resigna com o tempo.

Nas duas situações, o casal poderia ter se poupado de anos de sofrimento se tivesse sido honesto e com quem lhes emprestou o bem, mas eles não fizeram isso e aqui temos o ensinamento mais simples de todos: a vida é feita de escolhas e todas elas tem consequências que dependendo da proporção tem a capacidade de mudar o destino de uma pessoa.

A mensagem foi clara e bem forte para mim, meu primeiro contato com Maupassant e Maria Valéria foi super bem sucedido quero ler mais coisas dos dois para ontem!

Nota: 9,2.

Até a próxima!

Ana Paula

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