Projeto Uns e Outros | Machado de Assis + Paulo Lins

Oi pessoal,

Vocês já devem ter percebido que o meio de campo tá enrolado aqui no blog… Pois é! A vida fora da internet deu uma apertada e não estamos conseguindo manter uma rotina adequada para continuar a periodicidade que vínhamos mantendo por aqui até o início de fevereiro, mas aos poucos vamos trabalhando para retomar o que já vinha dando certo.

Hoje, por exemplo, vou colocar o Projeto Uns e Outros de volta aos trilhos e vocês vão ver aqui no blog duas postagens sobre os contos que estão atrasados, combinado? Aí na quinta-feira voltamos a programação normal e vai ficar faltando só mais três contos para finalizar esse projeto que exigiu  de mim e das meninas do Leitora Sempre, Jeniffer Geraldine e Eu li ou vou ler bastante força de vontade (Hahahaha).

Esse foi o último conto de Machado de Assis da coletânea e ele se chama Pai contra Mãe, já passaram por aqui Um homem Célebre e Teoria do Medalhão. Nessa história ele nos apresenta Cândido Neves, um boa vida que tinha dificuldade em permanecer em empregos fixos por achar que eles nunca estavam a sua altura, que se casa com Clara, uma jovem órfã, que vivia costurando com a Tia, e também não se ligava tanto para a importância de um emprego. Ela se preocupava bem mais com os sentimentos que Candinho provoca em si própria.

O conto é rápido e o ponto de vista apresentado é de um narrador observador que conhece a fundo os pensamentos do personagem principal Candinho, mas também nos dá vislumbres de como pensam Clara e Tia Mônica. Os dois viviam uma vida de miséria, sem muito conforto e tinham planos de ter um filho, mesmo sem pensar em um meio para sair do aperto financeiro que viviam, isso deixa a Tia de Clara desnorteada e, quando Clara engravida, a história se dirige para o ponto mais importante, que é a saída que Candinho arranja para levar dinheiro para casa: se tornar captor de escravos fugidos.

Isso é o que posso resumir sem dar spoiler do que acontece, mas uma coisa que eu achei bem interessante foi a forma como Machado introduziu a história, antes de apresentar Candinho ele falou sobre a escravidão e como os escravos eram tratados e marcados a época, depois falou das fugas e que tipo de pessoa recorria ao ofício de captor de escravos para só então nos apresentar Cândido Neves. Gostei muito desse recurso de contextualização, que nos deixa a par de algo que aconteceu de fato na vida real, ainda que ele vá apresentar personagens e uma história fictícia.

Dos contos que li do Machado, esse foi o que eu mais gostei, achei que a crítica que ele apresentou sobre o caráter de Candinho combinada com a situação de necessidade em que eles viviam foi bastante forte e clara. A crítica presente no conto do Medalhão é bastante forte também, mas eu achei que a forma de escrita não foi tão precisa quanto a desse e, por isso, eu reconheço a importância do que ele apresenta no Medalhão, mas me identifiquei mais com a forma desse.

A releitura foi escrita por Paulo Lins e se chama Pipa Sande, que foi um negro livre comerciante de escravos que vivia na beira do Rio Zaire na África. A história é contada pela avó de Aloysio como uma memória viva da época da escravidão. Ela é neta de Pipa Sande e acha importante contar ao neto a história ada família porque ela quer reconciliar Aloysio com o pai, Rafael.

O relacionamento dos dois não é o foco do conto, e sim a história de Pipa Sande, que começa a história se vingando de um mercador de escravos que raptou seu filho e o mandou para o Brasil para ser escravo sabendo que ele era um homem livre na África.  O filho de Pipa se chamava Geleco Sande e é o bisavô de Aloysio. Não vou dar mais detalhes da história que ela conta porque é importante que você vá descobrindo a roda das consequências por si próprio, mas confesso que gostei do texto.

Achei bem escrito e achei muito legal que o escritor fez um trabalho de pesquisa no arquivo nacional para levantar os dados e situações para dar o tom de realismo a história que a avó conta. O único problema é que eu não consegui entender como ele se encaixa na forma de releitura, uma vez que ele não tem nada a ver com a história de Candinho contada por Machado. Nos outros pares a correlação é imediata, passamos por tentativas de reescrever as histórias nos dias de hoje, por continuações e também por histórias recontadas pelo ponto de vista de outro personagem.

Só nessa não consegui entender como eles se relacionam, mas pode ser uma falha minha então se você leu e entendeu como os dois conversam, pode ficar a vontade para me explicar! Quero deixar claro que não estou tirando o mérito do autor em criar a história e nem questionando a qualidade de sua escrita. Como já disse ali em cima, achei o consto interessante. Posso dizer que o achei melhor do que alguns originais que li na coletânea, mas ele apresenta personagens e uma situação completamente nova e por isso eu não consigo vê-lo como uma releitura do conto do Machado e sim um novo conto. De repente ele pode ter se inspirado na questão escravocrata, mas continuo vendo os dois como textos individuais e não original e e releitura.

Nota: 9,0

Esses dois últimos pares me deram vontade de seguir em frente com mais ânimo, preciso confessar!

Até a próxima!

Ana Paula

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