Projeto Uns e Outros | Machado de Assis + José Luís Peixoto

Oi pessoal!

Na semana passada eu avaliei o primeiro par de contos, que foi uma releitura de O fim de algo de Hemingway escrita por Luiz Antonio de Assis Brasil. Se você ainda não sabe do que se trata o projeto, acessa o post de abertura que tem todas as explicações e detalhes do sorteio que estamos fazendo (se quiser participar é só preencher esse formulário). Hoje é dia de conhecer o segundo conto do livro Uns e Outros e dessa vez temos uma dobradinha Brasil Portugal com Machado de Assis e José Luís Peixoto.

Vou me reservar o direito de não falar muito sobre Machado porque ele dispensa apresentações e também é figurinha repetida no livro, então ainda teremos outras chances de falar dele. Na ordem do livro, Um homem célebre é o oitavo conto (lembre-se que estamos lendo por ordem de sorteio!) e ele traz a história de Pestana, um pianista compositor de polcas. Suas músicas são extremamente populares e isso o desagrada profundamente porque seu sonho é escrever algo tão brilhante como as composições de Mozart e Chopin, seus ídolos.

Uma coisa que achei bem interessante é que o conto começa com Pestana tocando em uma festa e, de imediato, mostra qual é o sentimento dele quando o reconhecem e pedem para que toque uma de suas polcas. No início não faz muito sentido, mas aos poucos Machado vai construindo a colcha de retalhos que explica os sentimentos e pensamentos desse homem atormentado. Gostei bastante da forma como ele trabalhou a personalidade do protagonista e como nunca tinha lido nenhum conto do escritor foi interessante conhecer esse outro lado dele.

José Luís Peixoto é português e professor de Literatura. Ganhou o prêmio José Saramago com o livro Nenhum Olhar e o Prêmio Oceanos com Galveias. Apesar de mudar a raiz da história, ele manteve o mesmo título de Machado de Assis, mas mudou bastante o personagem principal. Pestana é agora um escritor que acha que escreve alta literatura (estou usando as palavras do livro, não concordo muito com essa terminologia), mas sonha em ser comercial e alcançar multidões. Apesar disso, ele é bastante antipático e se preocupa muito com aparências. Para dar uma palestra ele segue as regras de vestimenta de um livro para escritores que da os passos para ser um escritor de verdade, é tão forte essa questão da aparência que até óculos falso ele usa.

O autor usou um recurso que conhecemos bem em Machado de Assis que é colocar o narrador para conversar com o leitor, mas apesar de não esperar achei que ficou um pouco forçado no contexto da história. Esse recurso era usado por Machado com muita naturalidade e as falas do narrador são completamente encaixadas no contexto dos personagens, mas não senti que a transição do autor português teve a mesma leveza. No final das contas achei que ele foi ousado por ter coragem de se espelhar dessa forma em Machado de Assis utilizando um recurso que não existe no conto original, mas é uma característica forte do autor.

Minha impressão geral é de que os contos de hoje foram interessantes, mas continuo esperando aquele texto que vai fazer meu coração bater mais forte. O de Machado é simples e tem um final inesperado, o de Peixoto cria uma história paralela, mas além de se espelhar na história ele lança mão de um recurso narrativo muito conhecido do primeiro presidente da ABL.

Nota: 8,2 (Ao fim da leitura a nota do livro será a média entre as notas de cada par de contos)

Sigo a espera dos próximos!

Ps.: Não deixe de acessar os outros blogs que estão participando do projeto:

Ana Paula

Você irá gostar de ler também:

3 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *