Pontos sobre Edgar Allan Poe

Em um dos posts do ano passado fizemos uma pesquisa sobre as obras de Edgar Allan Poe, como uma forma de homenagear o autor pelos seus 207 anos. Listamos vários contos escritos por ele para que você tivesse a oportunidade de conhecer um pouco do mundo de contos que ele escreveu. Ontem foi aniversário dele novamente e cá estamos para homenageá-lo mais uma vez.

Ele escreveu poemas e novelas, mas ficou muito mais conhecido por seus contos. Ele foi um dos precursores do Terror e dos contos analíticos ou Policiais. Um de seus poemas mais famosos é O Corvo, que infelizmente ainda não li e gostaria de saber se tem alguma semelhança com aquele filme que vi várias vezes na sessão da tarde quando era pequena.

Poe foi cultuado por vários escritores importantes ao longo da história literária e sabe-se que ele influenciou diretamente Baudelaire e Dostoievski, daí você já pode imaginar porque ele é tão lembrado até hoje. Sua vida foi curta, ele nasceu em 1809, em Boston, e morreu em 1849, em Nova York, ainda assim ele conseguiu escrever muito, mas sua genialidade só foi reconhecida de verdade após a sua morte. O desmerecimento foi tão sério que ele chegou a viver na miséria em vários momentos, tudo bem que ele era boêmio e gastava o dinheiro com farra e bebida, mas ele não teve tanto reconhecimento. E, para deixar tudo ainda mais difícil, passou por várias experiências de perda de familiares desde bem novo.

Uma característica muito marcante de seus contos é que são escritos em primeira pessoa. Claro que fiz o meu dever de casa e li um de seus contos para contar um pouco da minha experiência com Poe aqui para você. Decidi que leria uma histórias do livro Contos de Imaginação e Mistério e demorei um pouco para decidir qual deles me introduziria ao mundo desse mestre da literatura. Uma das minhas metas para esse ano é ler mais livros de suspense/terror porque como sou medrosa sempre fujo desse tipo de livro então pensei que poderia ser uma boa começar com ele.

Quando olhei a introdução vi que tinha O Escaravelho de Ouro que é um dos contos mais famosos que ele escreveu. Pensei em começar por ele, mas quando fui folheando senti que não devia ler aquele ainda (sabe aquela sensação que você não consegue explicar, mas é forte?). Resolvi então dar uma olhada na internet e pesquisar sobre os contos em geral e me encantei (sem nem saber a história) pelo Assassinatos na Rua Morgue. Vi que em tamanho era praticamente a mesma coisa do Escaravelho, tinha 28 páginas, então não seria isso que me ajudaria a decidir.

Resolvi ler o primeiro parágrafo e quando dei por mim já tinha lido 10 páginas. É isso, o conto me escolheu, só aceitei e continuei a ler super envolvida com a escrita e chocada com a forma que ele iniciou o conto. Pelo nome você sabe que vai ter um assassinato, mas ele começa falando sobre capacidade analítica, a diferença entre ela e o cálculo e, para ilustrar, faz uma metáfora utilizando o xadrez, a dama e o uíste (um jogo lá do século XVII/XIX) como exemplos. Dá uma olhada nisso aqui:

“Mas é em questões que vão além dos limites da mera regra que a habilidade da mente analítica se evidencia. Seu possuidor faz, em silêncio, um sem-número de observações e inferências. Igualmente o fazem, talvez, seus colegas; e a diferença na extensão da informação obtida reside não tanto na validade da inferência quanto na qualidade da observação.”

Edgar Allan Poe – Assassinatos na Rua Morgue

Só lendo para entender como tudo isso está completamente relacionado a apresentação do personagem C. Auguste Dupin, uma figura que mora em Paris, mas não se encaixa em lugar algum. Como o conto é narrado em primeira pessoa eu tendo a acreditar que essa pessoa com quem Dupin interage representa a voz do próprio Poe na história. Pensei nisso porque em nenhum momento ele dá nome ao personagem e tudo que se passa na história é pela perspectiva dele. Inclusive a divagação inicial que tenta explicar o que é capacidade analítica e como ela pode ser confundida com muitas outras coisas. Dá uma olhada:

“A narrativa que segue irá se afigurar ao leitor mais ou menos como um comentário sobre as proposições até aqui aventadas. Residindo em Paris durante a primavera e parte do verão, travei conhecimento com um certo Monsieur C. Auguste Dupin.”

Edgar Allan Poe – Assassinatos na Rua Morgue

Além do narrador personagem e do começo inusitado gostei muito da forma leve como ele foi levando a história até o momento do assassinato. Ele só vai acontecer quase no meio do conto e você toma conhecimento dele através de notícias de jornais. Todos os detalhes são contados assim através do depoimento de alguns homens que encontraram os corpos das vítimas. Quando Dupin resolve ajudar o chefe de polícia a desvendar o crime você já foi apresentado a capacidade analítica dele e sabe que ele é capaz de desvendar os pensamentos do narrador com base apenas em suas expressões e pela direção de seu olhar.

Por conta disso, você tem certeza que ele vai desvendar o crime, apesar da polícia não ter explicação nenhuma para o que pode ter ocorrido. Mas você não consegue deixar de ler porque quer entender o método e saber tudo o que aconteceu também. Li o conto em poucas horas (de dias diferentes) e essa coisa de ser precursor do Sherlock Holmes me deixou encantada. Sei que nem todos os contos dele são leves assim, mas não vejo a hora de ler os próximos.

Sr. Poe, essa é a nossa singela homenagem a sua obra <3

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Só queria lembrar que você também pode ler esse livro e de quebra ajudar o blog a crescer, dá uma olhada:

Contos de Imaginação e Mistério na Amazon

Assassinatos na Rua Morgue na Amazon/E-book

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Até a próxima!

Ana.

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