Ponto de Referência | Manuel de Barros

Oi pessoal!

Mais uma semana, mais uma região e seguimos firmes com o Julho Brasileiro! A região dessa semana é a Centro-Oeste, nossa região querida e tão cheia de amigos já que moramos no Distrito Federal. Dá até um quentinho no coração pensar em tantos escritores que já conhecemos e no tanto que ainda falta conhecer por aqui, mas sem enrolação vamos ao ícone da semana: Manoel de Barros.

Venho descobrindo a poesia aos poucos desde que li Cantigas de Ninar Dragões e por isso ainda não sou tão familiarizada com o escritor, por isso achei que essa seria uma ótima oportunidade de saber quem ele foi em vida e também me aproximar mais de sua obra. Manoel nasceu em Cuiabá (Mato Grosso) no ano de 1916, mas viveu a maior parte de sua vida em Campo Grande (Mato Grosso do Sul).

Fez faculdade no Rio de Janeiro, onde viveu vários anos de sua vida, se aproximou do Comunismo e começou a escrever. Publicou sua primeira obra, Poemas concebidos sem pecados, em 1937. Se formou em Direito no início da década de 40 e depois de se decepcionar com Luís Carlos Prestes viajou pela Bolívia, Peru e Nova York, até que, na década de 60, voltou a viver em Campo Grande. Os anos iniciais de sua carreira passaram-se longe dos holofotes até que Millôr Fernandes leu sua obra e, na década de 80, o divulgou para o grande público. Esse momento foi importante, pois graças a esse gesto, Manoel ganhou o primeiro Jabuti, em 1987, com o livro O guardador de águas.

Manoel foi considerado um dos maiores poetas do país e Carlos Drummond de Andrade chegou a recusar o título em favor do poeta mato grossense. Uma das características principais de suas poesias é o uso de linguagem coloquial pantaneira, o que fez com que o escritor fosse considerado o Guimarães Rosa da poesia. Devido a essa característica, Manoel se auto intitulava o Jeca Tatu do Pantanal. Ganhou o segundo Jabuti, em 2002, com o livro O fazedor de amanhecer. O poeta faleceu em 2014, ano em que completaria 97 anos.

Na internet pude ler vários poemas dele e um deles me tocou bastante e vou dividir aqui com vocês:

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

Tratado Geral das grandezas do Ínfimo

Até a próxima!

Ana.

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