Ponto de Referência | Herman Melville

Olá, meu bom leitor.

Comecei a ler Moby Dick e estou simplesmente apaixonado pela história, cheguei na página cem e ainda nem embarquei no navio para buscar a grande baleia. Mas acredite em mim, a história criada por Herman Melville é sensacional e ele, com toda a certeza, merece estar aqui no nosso Ponto de Referência.

O que me deixou mais fascinado pela história de vida de Herman Melville (agosto de 1819-setembro de 1891) é que ele morreu sendo considerado um péssimo escritor pela crítica da época. Moby Dick, sua principal obra, foi originalmente publicada em três volumes com o nome A Baleia e não teve sucesso de público ou da crítica de imediato. Ele foi o grande responsável por Melville morrer praticamente no anonimato. Mesmo sendo massacrado pela crítica, Melville não desistiu de escrever e publicou 11 livros e 7 contos.

Depois de trinta anos de sua morte, encontraram dentro de uma lata um manuscrito do livro Billy Budd, que foi organizado e publicado em 1924. Foi um sucesso de vendas e aclamado pela crítica, sendo adaptado para a ópera, teatro e cinema. Devido ao sucesso de Billy Budd, suas obras foram resgatadas e a crítica assumiu que Moby Dick havia sido injustiçado e o colocaram no patamar de um dos maiores clássicos de todos os tempos.

Deixo aqui o início do livro de Moby Dick, para que você se renda a essa grande história:

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“Trate-me por Ishmael. Há alguns anos – não importa quantos ao certo – tendo pouco ou nenhum dinheiro no bolso, e nada em especial que me interessasse em terra firme, pensei em navegar um pouco e visitar o mundo das águas. É o meu jeito de afastar a melancolia e regular a circulação. Sempre que começo a ficar rabugento; sempre que há um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que, sem querer, me vejo parado diante de agências funerárias, ou acompanhando todos os funerais que encontro; e, em especial, quando minha tristeza é tão profunda que se faz necessário um princípio moral muito forte que me impeça de sair à rua e rigorosamente arrancar os chapéus de todas as pessoas – então percebo que é hora de ir o mais rápido possível para o mar. Esse é o meu substantivo para a arma e para as balas. Com garbo filosófico, Catão corre à sua espada; eu embarco discreto num navio. Não há nada de surpreendente nisso. Sem saber, quase todos os homens nutrem, cada um a seu modo, uma vez ou outra, praticamente o mesmo sentimento de tenho pelo oceano.”

Moby Dick, Herman Melville – Capítulo 1, Miragens

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Tenha um ótimo ponto para ler!

Paulo Souza.

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