Diário de John Robinson Miller – 1942 (Final)

Olá meu bom leitor.

Primeiro vou pedir desculpas é claro, já era para eu ter postado este texto há muito tempo, mas não postei por dois bons motivos: eu passei por alguns problemas pessoais e que escrevi um texto para um jornal de um grupo jovem.

Mas quero deixar bem claro que em nenhum momento eu me esqueci de você meu bom leitor e no meu compromisso de manter o Ponto Para Ler sempre atualizado, e vou me esforçar o máximo para mantê-lo sempre com pelo menos uma postagem nova semanal.

Então sem mais mimimimi da minha parte, segue a parte final do diário, esperem que goste.

Tenha um ótimo ponto para ler!

Diário de John Robinson Miller – 1942 (Final)

Julho 15/16

Não estou mais conseguindo contar o tempo, os dias foram se passando e eu acabei por deixar me perder, segundas, quartas ou domingos para mim são sempre os mesmos. O sol se põe e depois de um tempo ele dá espaço a lua, e nesse vai e vem eu vou tendo os meus sonhos de piloto e o pelotão do cemitério cinza cresce cada vez mais.

Por incrível que pareça, estou cada vez mais crente que essas pessoas que chegam aqui são fantasmas ou restos dilacerados de memórias perdidas de combates.

Julho/Agosto

Não sei quanto tempo tem que não escrevo no meu diário, na verdade não sei quanto tempo tem que não tomo banho, ou a quantas horas me alimentei decentemente. A única explicação que possuo é a de que devo estar morto ou muito próximo disso.

O cemitério cinza está completamente lotado com os fantasmas da guerra, e até hoje não sei dizer o motivo de eu conseguir conversar com eles e vê-los, isso me atormentou um pouco no início, mas agora eu vejo isso como um dom.

Tenho que escrever antes que me esqueça, percebi que nos meus sonhos de piloto, de alguma forma que eu não sei explicar eu realmente estou em momentos de combate real. E por mais louco que possa parecer, eu consigo me comunicar com os outros aviões que, ao contrário de mim, são reais. Nas transmissões eles me chamam de “piloto das sombras”, nunca me senti tão importante.

Setembro, um dia qualquer

Ontem voando em meu sonho encontrei uma base enorme nazista. De acordo com o painel da Donzela as coordenadas eram latitude 47.15 e longitude 6.56,  o Cabo Collins me confirmou as coordenadas e disse que irá mandar um ataque maçante na noite do dia hoje.

O William Sem Sobrenome e o White estão conduzindo todos que estão no cemitério para dentro da Donzela, o que me intriga é que no momento que eles entram, eles somem e instantaneamente uma parte da aeronave se repara instantaneamente. A fuselagem, a parte elétrica, a estética e ao final a Donzela estava como nova, impecável.

Antes que os meus dois ex-companheiros entrassem eles me falaram que hoje eu iria vingar a morte de todos e que eu já estava pronto para pilotar. Eles não me deram tempo para resposta e embarcaram, ao sumirem na lateral do avião surgiu de imediato a palavra “Donzela” e logo abaixo “Piloto das sombras”.

Hoje será o meu dia, o dia do cumprimento do objetivo de eu estar vivo e de ter chegado até aqui.

– As próximas paginas do diário foram arrancadas ou estão ilegíveis, como várias outras ao longo dele – disse o professor de história com especialização em segunda guerra para o seu público de mais de quinhentas pessoas. Não conseguimos assegurar que as informações contidas neste diário são verídicas ou alucinações de um combatente, mas a base nazista citada realmente existiu e, inacreditavelmente, a latitude e a longitude levam a uma região no sul da França que faz divisa com a Alemanha. Alguns sobreviventes afirmam que foram avisados sobre o ataque a essa base que se encontrava nas coordenadas um dia antes e que na noite do ataque havia uma aeronave que os ajudou e sumiu ao nascer do sol.

Um dos ouvintes levantou a mão pedindo a permissão para fazer uma pergunta – Professor Parker, se o diário diz o local da base, diz sobre um ataque que realmente foi executado, por que ninguém procurou esse cemitério cinza? E se existem outras páginas escritas, isso quer dizer que o John atuou mais durante a guerra pilotando a Donzela não é mesmo?

O professor sorriu, feliz com a pergunta – O cemitério cinza existe, mas não com esse nome. Era a base da 6° Divisão de Infantaria. Pelos meus estudos, a base ficava a pouco mais de trinta quilômetros a leste da base nazista. E sobre as atuações de John pilotando a Donzela, posso dizer que existem várias histórias de ataques aéreos que foram ajudados por uma nave misteriosa que aparecia ao anoitecer e sumia ao amanhecer. Eu acredito neste diário, mas muitos dizem que esse caderno velho é apenas a válvula de escape de um jovem escritor que acabou na guerra por azar. No que você acredita, meu rapaz?

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