Crítica de Livro | Persuasão

Faz 200 anos que Jane Austen deixou o mundo físico. Sim, ela morreu em 1817 e fazia parte de uma sociedade com alguns costumes que deixaram de existir há muuito tempo. Sempre tive curiosidade para conhecer os livros dela porque tenho algumas amigas que veneram suas histórias. Esse amor que elas sentem pela autora me dava aquela vontade de saber como era sua escrita e o que fazia e faz tantas pessoas caírem de amor por seus livros. Foi assim que eu li, entre janeiro e fevereiro, Orgulho e Preconceito (O&P). Foi uma boa surpresa porque já tinha assistido ao filme e não tinha me identificado com a história, mas o livro me pegou de jeito e tem crítica de O&P, caso você queira saber o que achei da leitura.

O plano no início do ano era participar ativamente do Projeto Um Ano com Austen, que a Jess do blog Leitora Sempre (uma das amigas loucas por Jane) criou para homenagear a autora nesse ano tão importante para seus fãs. O&P foi o livro de janeiro, mas acabou que eu não li mais nada dela, apesar de estar com Razão e Sensibilidade lá em casa desde que finalizei essa leitura. E eu fiquei assim nessa promessa literária de ler mais Jane Austen até novembro, quando o Grupo de Leitura Pacto Literário escolheu Persuasão para leitura do mês. Como eu tinha feito a indicação dos livros para votação me senti na obrigação de ler, principalmente porque eu havia gostado do primeiro.

Então hoje venho contar para vocês o que eu achei de Persuasão. Pela importância eu gostaria de ter uma impressão bem legal para contar, mas a realidade é que eu tive muita dificuldade com esse livro. Não teve nada a ver com a linguagem, ela era bem fácil de compreender, mas a narrativa foi muito lenta e não consegui sentir empatia pelos personagens. Foi um exercício de muita disciplina finalizar a leitura.

Em Persuasão Jane nos apresenta a Anne Elliot e sua família composta por duas irmãs, Elizabeth e Mary, e o pai Sir Walter. A mãe morreu há alguns anos e desde então Anne é praticamente ignorada pela irmã mais velha, que passou a cuidar da casa, e pelo pai. A irmã do meio, Mary, se casou e não vive com eles e sempre chama a irmã para visitá-la e passar um tempo em sua casa que fica em uma propriedade próxima, mas na realidade ela não se importa muito com Anne também. Há ainda Lady Russell, uma grande amiga da mãe de Anne que permaneceu próxima a família mesmo após sua morte.

Esses personagens, além dos Musgrove (família de Charles, marido de Mary), constituem o círculo social de Anne Elliot no início da história e o mote inicial é justamente os caminhos inadequados escolhidos pelo pai e pela irmã mais velha da personagem principal que levaram a família a apuros financeiros cuja solução foi alugar a propriedade que viviam e ir morar em Bath para poupar gastos. De início você já percebe que ambos dão muito mais importância a aparência que a essência da pessoa. Sir Walter chega a dizer que não consegue manter conversa por muito tempo com alguém que não tem boa aparência e Elizabeth vai pelo mesmo caminho julgando as pessoas apenas por sua beleza.

Anne, obviamente, não tem o mesmo comportamento e se preocupa com as consequências que vários momentos de falta de compostura do pai e da irmã podem causar a reputação da família. Lady Russell é a única que leva em consideração a inteligência e as opiniões de Anne, mas também é uma típica senhora do século XIX que busca nada mais nada menos que um bom casamento para sua protegida. E é justamente aí que a história se desenrola, pois a casa dos Elliot é alugada para o Almirante Croft que é cunhado do Capitão Wentworth, um pretendente que Anne rejeitou no passado e a simples menção de seu nome já faz o coração da jovem bater mais forte. A história gira em torno da perspectiva do encontro dos dois e como eles reagirão após tanto tempo sem se ver já que nenhum dos dois casou depois da recusa do pedido de casamento feito anos antes.

Como era típico da época, a narrativa se passa em várias cidadelas inglesas, mas achei os personagens bem fracos, ao contrário de Orgulho e Preconceito quase não há diálogos nesse livro e a história é contada pela perspectiva de Anne e as vezes você tem um vislumbre do que os outros pensam, mas sempre de forma breve. Foi justamente por isso que senti falta daquele narrador observador de O&P que fazia duras críticas a sociedade da época, em Persuasão as críticas são mais leves e, para mim, não tem a mesma sagacidade.

Sem contar que o formato corrido do texto também deixa a leitura cansativa. Eu tinha 136 páginas, mas elas se alongaram baaastante e o que era para ser a leitura de outubro se estendeu até novembro porque mesmo com disciplina para terminar eu fiquei bem emperrada na história.

Apesar desse desencontro resolvi que vou tentar mais uma vez e ler Razão e Sensibilidade, que a Jess me emprestou e já já faz aniversário que está comigo. Venho com novidades assim que ler, mas e você? Qual a sua relação com Jane Austen?

Sinopse

‘Persuasão’ é amplamente apreciado como uma simpática história de amor, de trama simples, bem elaborada, sendo original por diversos motivos, mas principalmente pelo fato de ser uma das poucas histórias da escritora que não apresenta a heroína em sua plena juventude. O romance também é um apanágio ao homem de iniciativa, retratado através do personagem do capitão Frederick Wentworth que parte de uma origem humilde e que alcança influência e posição social pela força de seus méritos pessoais.

Livro: Persuasão
Autor: Jane Austen
Editora: Landmark
Páginas: 136

Capa: 7,50
Continuidade: 8,00
Personagens: 8,00
Cenários: 9,50
História: 8,00
Narrativa: 7,50
Diálogos: 7,50
Revisão: 9,00

Nota Final: 8,00 – Bom.

Até a próxima!

Ana Paula

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3 Comentários

  1. Aninha, confesso que esse livro não foi uma leitura agradável. Mas gostei bastante da aventura com Jane Austen e obrigada por me incentivar a não desistir da leitura de outros livros da autora.

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