Crítica de Livro | Dias Perfeitos

Olá meu bom leitor.

Após um mês de mudanças, literalmente além do emprego novo, que tem me dado o reconhecimento que sempre busquei, agora mudei de casa e estou correndo para terminar de escrever e revisar, com a ajuda da minha namorada, o meu texto para o concurso da revista Bang, tempo é um artigo de luxo para mim.

Mas eu não me esqueci de você meu bom leitor e sei que estou em falta, mas eu consegui começar a ajeitar a minha rotina e vou voltar a postar semanalmente as terças (textos variados) e as quintas (contos inéditos).

E para não perder o mês completamente vou voltar trazendo a crítica deste livro que me surpreendeu e muito: Dias Perfeitos de Raphael Montes (Companhia das Letras).

O livro é bom, mas não excelente como está sendo retratado pela mídia, diria até que Raphael Montes está sofrendo do mal da modinha. Sei que poderei ser crucificado por isso, mas é a impressão que tive ao ler o livro. Por ter virado modinha seu livro está sendo tratado como uma revolução na literatura brasileira, coisa que está longe de ser.

Post 9Partindo do ponto de vista técnico o livro se divide em duas partes, uma totalmente dependente do personagem principal e de outra perdida entre dois personagens que não conseguem se encaixar muito bem no roteiro. É nítido que o Montes utilizou de duas técnicas de escrita para escrever esta obra. Uma que é a de ida e volta, você escreve um capítulo, para e ler para dar continuidade na escrita, o bom é que você já vai arrumando e deixando o texto impecável e o ruim é que você demora quase o triplo de tempo para terminar e a outra técnica é a de não pausas, você escreve tudo de uma vez e somente no final que faz a revisão, o bom é que se poupa tempo e o ruim é que a revisão não fica tão boa quanto o esperado.

O livro é todo narrado em terceira pessoa e totalmente pelo ponto de vista do personagem principal, o Téo. Essa foi a grande sacada para facilitar a leitura e compreensão do livro, um texto baseado em um único ponto de vista é algo que realmente te prende.

A técnica utilizada por ele para a narrativa acaba balanceando a confusão em que o livro foi concebido. Em termos técnicos ele deixou a desejar por não se ter uma linha clara do que o autor queria na hora de escrever. Tive a impressão de que tudo foi jogado sem planejamento e consequentemente organizado de última hora para ser publicado.

Agora falando do ponto de vista artístico, o livro é bom, mas não excelente. Existe sim uma boa trama, os personagens são bem estruturados, mas deixam um quêde que poderiam ser melhores.

A história se passa basicamente com um grupo de seis personagenssecundários e dois principais, pela quantidade de personagens ser pequena senti que eles poderiam ser mais redondos para que aumentar a qualidade da trama e também para que eles fossem mais reais, mais intrigantes. O único personagem que realmentedesperta interesse é o Téo.

Um ponto negativo que senti da trama foi a relação entre Téo e sua mãe, ali existiam inúmeras possibilidades para desenvolver acontecimentos envolventes, mas infelizmente Raphael preferiu dar mais importância ao relacionamento de Téo e Clarice que independentemente de qualquer coisa aconteceria.

O livro é de um tom de perversidade alto, o pensamento, as ações e a lógica que Téo usa para justificar suas ações cruéis é o ponto alto do livro, seguida da ambientação usando lugares icônicos do Rio de Janeiro.

Raphael Montes ainda não é, aos meus olhos, um revolucionário da literatura policial brasileira, mas posso dizer com toda franqueza que ele está no caminho certo. Diria que daqui a alguns anos ele terá experiência suficiente para criar sim o livro que será o divisor de águas da nossa literatura.

Por final eu recomendo a leitura e faço ainda uma ressalva, não leia com um olho na técnica e outra na história, para ser feliz com este livro foque no Téo e em Clarice e escolha quem merece a sua pena ao final do livro.

Sinopse

“Aos vinte anos, o carioca Raphael Montes impressionou crítica e público comSuicidas, livro finalista de diversos prêmios literários, entre os quais o prêmio São Paulo de Literatura e o Machado de Assis, concedido pela Biblioteca Nacional.

Aos vinte e três anos, escreveu este Dias Perfeitos, seu segundo romance. A exemplo do anterior, traz suspense, violência, diálogos ágeis, trama vibrante e pleno domínio do andamento narrativo.

Mas agora as doses de ironia e perversidade são redobradas, num mergulho pela psique de um assassino metódico, engenhoso e sobretudo apaixonado”.

Livro: Dias Perfeitos                                      Autor: Raphael Montes

Páginas: 274                                                    Editora: Companhia das Letras

Capa: 9,00

Continuidade: 8,50

Personagens: 8,50

Cenários: 9,50                                                           Nota Final: 8,62

História: 8,00

Narrativa: 9,00

Diálogos: 8,50

Revisão: 8,00

Booktrailer

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