Abertura da Bienal Brasil do Livro

Olá, meu bom leitor.

Hoje vou falar sobre a solenidade de abertura da II Bienal do Livro e da Literatura que ocorreu aqui em Brasília. O evento foi realizado no auditório principal do Museu Nacional.

Primeiramente, antes de entrar no quesito de como foi à solenidade tenho que desabafar uma coisa, o evento teve uma das piores organizações que eu já vi na minha vida.

Tudo começou com a distribuição dos convites para a participação da solenidade, foram disponibilizados 500 convites (isso já debitado os convites da imprensa, convidados especiais e o da politicagem, já que o auditório tem um espaço para comportar 750 espectadores). Para pegar o ingresso tive que chegar ao museu às nove horas da manhã de quarta-feira e esperar até ao meio dia, hora que começariam a ser distribuídos.

Ai começa a desorganização do evento, os 500 convites se esgotaram em menos de quatro horas e foi gerada uma grande expectativa em relação à palestra que seria dada pelo homenageado da bienal o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Para quem não conhece o Galeano:

“A obra mais conhecida de Galeano é, sem dúvida, As Veias Abertas da América Latina. Nela, analisa a História da América Latina como um todo desde o período colonial até a contemporaneidade, argumentando contra o que considera como exploração econômica e política do povo latino-americano primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos. O livro tornou-se um clássico entre os membros da esquerda latino-americana. (Mais na Wikipédia)”.

Antes de falar sobre a palestra vou falar sobre a entrada do evento, fui surpreendido com uma confusão na entrada do foyer do museu, as pessoas que estavam com os convites foram barradas de entrar, pois o auditório já estava lotado.

Exatamente isso que aconteceu meu bom leitor, os convites que foram distribuídos, aqueles 500, não serviram de nada. Na verdade na entrada para o auditório a organização não estava xequeando os convites e a lotação do evento foi feita por pessoas que viram o movimento e entraram utilizando o famoso jeitinho brasileiro.

Os convites também davam ao seu portador o direito de receber no momento da entrada um outro convite para participar de um coquetel no anexo do museu junto com Eduardo Galeano.

Claro que como eu fui barrado não recebi o meu convite para o coquetel.

As pessoas que foram barradas começaram a xingar, gritar e a fazer uma verdadeira baderna para ter o direito de ver a palestra. Já que perderam horas na fila para “assegurar” a sua participação.

Depois de muita discussão a organização resolveu liberar a entrada de todo mundo para a solenidade. Quando eu entrei o Eduardo já estava dando a sua palestra e eu tive que sentar na escada.

Decepção, eu estava esperando que ele falasse sobre o que o motivou a escrever, o papel da literatura na sua vida, a realidade cultural literária do Uruguai e sobre tudo o que ele contribuiu para a América Latina (iriei postar dois videos ao final do post, o áudio está um pouco baixo, mas da para ouvir bem).

Ele leu textos dele e de outros autores, foram menos de trinta minutos e acabou a sua “palestra”.

Os textos foram ótimos, traziam reflexões profundas e apontavam para falhas do caráter humano, foram ótimas as leituras, mas eu fui preparado para ver uma palestra (o que foi divulgado que iria acontecer pela organização) e não um sarau.

Depois de toda a falta de respeito da organização, da falta de compromisso em se realizar o que foi divulgado tenho que dizer que a II Bienal Brasil do Livro e da Literatura começou da pior maneira possível. Foi uma vergonha.

Foi um retrato típico da cultura nacional de não se preparar com antecedência para a realização de um grande evento e da contratação de pessoas de baixíssima competência profissional para se tratar com o público.

Foi apenas mais um evento (para e minha tristeza) de captação do dinheiro público, pois o que eu vi lá foi isso.

Espero que o restante do evento se redima e faça algo realmente bom, mas se essas coisas continuarem a acontecer terei que confirmar o que a abertura me mostrou. O Brasil não está preparado culturalmente e profissionalmente para a realização de grandes eventos.

A solenidade de abertura foi um fiasco e apenas mostrou para o mundo que o brasileiro não está preocupado em ler e muito menos em celebrar a literatura.

Acorda Brasil!

Tenha um ótimo ponto para ler!

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