6 escritoras consideradas ícones da Literatura Brasileira e Mundial

Oi pessoal!

Todo mundo vivo nessa quarta de cinzas? Sobreviveram ao carnaval? O Ponto para Ler não para e vamos dar continuidade a homenagem as escritoras desse mundão de meu Deus com uma lista de ícones literários. A ideia aqui é trazer nomes de três escritoras internacionais e três brasileiras que não são contemporâneas e foram importantes no processo de desbravamento do mundo editorial. Como serão apenas três muitos nomes vão ficar de fora, mas você pode colocar suas preferidas nos comentários e nos dizer porque ela é importante para você. Prontos?

Jane Austen

É um pouco difícil falar dos primórdios da Literatura sem falar dela, que há mais de duzentos anos nos brindava com suas histórias que criticavam a sociedade inglesa. Ela viveu apenas 42 anos, entre 1775 e 1817 e escreveu seu primeiro livro, Lady Susan, aos 19 anos. Ela finalizou Razão e Sensibilidade e Orgulho e  Preconceito aos 22 anos (1797) e seu pai resolveu o livro a um editor, mas as histórias foram rejeitadas e só foram publicadas em 1811 e 1813, após a criação do pseudônimo Uma Senhora. Além desses ela escreveu vários outros romances: Emma, Mansfield Park, Persuasão e A Abadia de Northanger. Em suas obras ela buscava retratar a sociedade inglesa da época e também criticava a forma como o casamento parecia ser a única forma de salvação ou ascensão social para as mulheres.

Mary Shelley

A escritora nasceu em uma família de escritores, sua mãe era feministas e escrevia textos sobre o movimento, mas faleceu dias depois do parto, por isso ela foi criada pelo pai, que desde cedo já a criou com instinto crítico e tino para a literatura. Tanto que ela finalizou a obra Frankenstein aos 19 anos e o clássico perdura até hoje. Na época, o livro não agradou a crítica, mas o público gostou bastante e hoje ela é considerada uma das precursoras da Ficção Científica. A inspiração para escrever sua obra prima surgiu quando ela e o marido conheceram Lord Byron e os três tiveram a ideia de escrever contos de terror como uma espécie de competição. Shelley não só escreveu em uma época em que quase não havia espaço para mulheres como também ainda conseguiu deixar seu nome marcado na história.

  • Ainda não temos críticas de Mary Shelley aqui no blog, mas isso deve mudar em breve.

Agatha Christie

O romance policial não é o mesmo sem a figura dessa senhorinha que mais parecia uma máquina de escrever. Há algumas críticas com relação a forma como ela resolvia os casos em seus livros, mas sua produção literária é inegável. Ao contrário de Jane Austen ela teve uma vida longa (1890-1976) com direito a sumiço e tudo. Seu primeiro livro foi publicado em 1920 e se chama O misterioso Caso de Styles, ele foi rejeitado por seis editoras até vir a público e estima-se que seu livro de estreia vendeu 2 mil cópias. Ao todo ela escreveu mais de 80 obras, mas apesar de ser mais conhecida pelos romances ela escreveu também poesia, contos e peças. Ela tem vários recordes no Guiness Book, como o de maior livro com a obra completa de Miss Marple que tem mais de 4 mil páginas. Ela foi tão importante para a literatura britânica que ganhou o título de Dame (dama) que equivale ao título masculino de Sir. O que condiz bastante com o seu apelido de Dama do Crime, afinal foram mais de 60 romances no gênero. Poucas mulheres se aventuram por esse gênero e é importante ressaltar aquelas que se tornaram grandes em um meio que é reconhecidamente masculino.

  • Perdemos a única crítica que tínhamos da Agatha aqui no blog junto com as postagens de 2016, mas eu tenho que colocar no papel um projeto pessoal que tenho vontade de executar e assim que isso acontecer eu falo para vocês em detalhes, sem contar que sempre tem o setembro policial para trazer aquele mix de críticas policiais

Cora Coralina

Na verdade seu nome de batismo é Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), mas ganhou o apelido Cora e com o tempo adotou Coralina. Ela viveu na Cidade de Goiás e é conhecida por suas poesias e contos, a distância dos grandes centros literários fez com que ela criasse um jeito próprio de escrever e ver o mundo e foi isso que a consagrou como uma das maiores escritoras do país. Sua profissão na cidade era doceira e uma visita rápida a cidade nos dias de hoje mostra que Cora permanece forte por lá. Apesar de seu reconhecimento, seu primeiro livro só foi publicado em 1965, quando ela já tinha quase 76 anos, mas sua vida literária foi ativa e ela chegou a coordenar um periódico literário chamado A Rosa. Começou a escrever aos 14 anos e publicava seus textos em jornais de Goiânia. Estar longe do centro foi bom por um lado, mas acabou por demorar mais para perceberem sua genialidade.

  • Recentemente ganhamos um livro de poesias dela, traremos novidades, aguardem!

Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz nasceu em 1910, na cidade de Fortaleza e era parente, pelo lado materno, de José de Alencar. Em 1917, a família se mudou para o Rio de Janeiro e para Belém para fugir da dura seca de 1915. Dois anos depois estava de volta a Fortaleza e em 1930 publicou O Quinze, seu primeiro livro que teve repercussão inesperada em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar do sucesso de seus romances, ela foi uma máquina de fazer crônicas contabilizando mais de 2 mil em toda a sua carreira. Também se aventurou pelas peças e acabou ganhando prêmios, Rachel se destacava em tudo o que se propunha a fazer e, por isso, foi eleita para ocupar a cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras sendo a primeira mulher a adentrar o recinto como acadêmica. Rejeitava o rótulo de feminista veementemente e queria apenas ser reconhecida por suas produções literárias por serem boas, não por serem feitas por uma mulher, afinal os homens não eram diferenciados dessa forma. Esse pensamento gera controvérsias até hoje, mas sua grandeza é um fato e Rachel, que por um tempo usou o pseudônimo de Rita, é um ícone da Literatura Brasileira.

Carolina de Jesus

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é considerada a primeira escritora negra do Brasil, ela enfrentou muitos preconceitos por isso, mas também por ser mulher e pobre. Seu livro, Quarto de Despejo, foi publicado em 1960 e era seu diário como catadora de papeis na cidade de São Paulo. Ao conhecer o jornalista Audálio Dantas sua história como escritora de diários ganhou um tom mais público. Em uma semana ela conseguiu esgotar a tiragem de 10 mil cópias e ao longo dos anos o livro já vendeu mais de 1 milhão de cópias. Graças ao livro ela conseguiu se mudar da favela e escreveu outros livros, mas nenhum superou o sucesso de Quarto de Despejo.

  • Li Quarto de Despejo na época da escola e acho que está na hora de revisitá-lo e trazer minhas impressões sobre o livro aqui para o blog, tá decidido!

Encerro por aqui nossa lista de escritoras que são ícones da literatura, mas lembro que como toda lista ela deixa nomes importantes de fora. Me conta aqui nos comentários que escritora é um ícone para você?

Ps.: Nomes como Clarice, Cecília

Até a próxima!

Ana Paula

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